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Campêlo: Saúde não respondeu ofícios sobre falta de oxigênio

Ex-secretário de Saúde do Estado do Amazonas afirmou que ligou para o então ministro Eduardo Pazuello

15 jun 2021 11h49
| atualizado às 18h43
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Em depoimento à CPI da Covid, o ex-secretário de Saúde do Estado do Amazonas Marcellus Campêlo disse ter ligado no dia 7 de janeiro ao então ministro da Saúde Eduardo Pazuello a fim de explicar a necessidade de apoio logístico para transporte oxigênio de Belém do Pará para Manaus, a pedido da empresa White Martins. Segundo ele, na conversa, Pazuello orientou que o Estado contatasse o Comando Militar da Amazônia para solicitar esse auxílio.

Marcellus Campêlo,  ex-secretário de Saúde do Amazonas, presta depoimento na CPI da Covid
Marcellus Campêlo, ex-secretário de Saúde do Amazonas, presta depoimento na CPI da Covid
Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

Apesar de ter falado com Pazuello no dia 7, e também no dia 10, presencialmente, o ex-secretário disse que, de seu conhecimento, não houve resposta por parte do Ministério da Saúde a uma série de ofícios enviados pelo governo local sobre o problema de desabastecimento.

"No dia 9 de janeiro, quando percebemos que haveria atraso na chegada da primeira balsa prometida pela White Martins, enviamos ofício, e existia agenda do ministro Pazuello em Manaus a partir do dia 10. Então no dia 10 foi relatada a situação dessa preocupação do apoio logístico", relatou. "Não tenho conhecimento se houve resposta, acredito que não. Não houve resposta, que eu saiba (aos ofícios enviados ao então ministro da Saúde). A programação da White Martins estava para dia 9, como não houve confirmação, enviamos ofício ao Ministério da Saúde via comitê de crise, nos dias 9, 11, 12 e 13 de janeiro", afirmou o ex-secretário nesta terça-feira, 15.

À CPI da Covid, Pazuello alegou que só soube do problema de oxigênio no dia 10 de janeiro. Durante sua oitiva, no entanto, precisou ajustar seu discurso, após ser confrontado com um ofício, relevado pelo Estadão/Broadcast, na qual o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco afirma que a pasta soube das dificuldades na noite do dia 7 de janeiro, em uma conversa com o ex-secretário.

"Sobre o contato pessoal no dia 10, foi relatada preocupação com White Martins, aí o ministro marcou reunião no dia seguinte com a White Martins para tratar desse assunto pessoalmente, dia 11. White Martins pediu apoio logístico e a partir daí ministro designou Coronel Moura para fazer as tratativas com a White Martins", contou.

Apoio logístico dos EUA

Marcellus Campêlo afirmou ainda não ter tratado sobre a recusa do governo brasileiro ao apoio logístico dos EUA para o envio de oxigênio líquido para o Amazonas durante a crise de desabastecimento no Estado.

Segundo o ex-secretário, ele fez pessoalmente uma solicitação a um representante da Unicef para buscar apoio log-ístico, em 17 de janeiro, para lidar com a crise, com uma sinalização positiva do fundo. Contudo, segundo Campelo, mesmo com o pedido reiterado pelo governador Wilson Lima (PSC), não houve uma resposta do Ministério da Saúde sobre o tema.

Campêlo afirmou não ter tratado diretamente sobre esse assunto por ser "uma relação do governo", tema de competência do Ministério das Relações Exteriores. As tratativas na busca de apoio internacional para lidar com a crise do Estado foram questionadas ao ex-secretário.

Sobre a doação de oxigênio feita pela Venezuela a Manaus, no início deste ano, Campêlo afirmou que devido à falta de aeronaves específicas para realizar o transporte do insumo - voltando a comentar sobre o pedido feito a Unicef que não teve resposta do Ministério da Saúde -, a carga precisou ser feito por via terrestres.

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Estadão
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