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Conheça Raquel, mãe que luta por remédio de R$ 17 milhões para salvar o filho Dudu

Raquel Lorensi sempre sonhou em ser mãe

9 mai 2026 - 12h30
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Raquel Lorensi sempre sonhou em ser mãe. Antes mesmo de pensar em carreira ou profissão, ela imaginava a própria casa cheia de vida, de rotina, de infância correndo pelos corredores. E foi assim que Eduardo, o Dudu,chegou: desejado desde o início.

"Ele me deu sentido na vida", conta Raquel.

Durante os primeiros anos, tudo parecia normal. Dudu era uma criança inteligente, comunicativa e cheia de energia. Mas havia algo que inquietava a mãe.

"O caminhar dele, o correr dele, o subir escadas não era igual ao das outras crianças. Alguma coisa me dizia que eu tinha que buscar mais informações."

A insistência materna acabaria mudando completamente a vida da família.

Foto: Vakinha / Vakinha

O diagnóstico que transformou tudo

Depois de meses entre consultas, fisioterapias e exames, Raquel e o marido, Deivisson, receberam em 2019 um diagnóstico devastador: Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), uma doença genética rara e degenerativa que afeta principalmente meninos.

A condição provoca a perda progressiva da força muscular e, com o tempo, compromete também a musculatura cardiorrespiratória.

Na época, Dudu tinha apenas 4 anos.

"A primeira pergunta é o porquê, né? Por que aconteceu com o Dudu?", relembra Raquel.

O impacto foi tão grande que o casal passou horas em silêncio dentro do carro, no trajeto de volta para casa.

"A minha vontade era não chegar em casa", conta ela.

Foto: Vakinha / Vakinha

Deivisson lembra daquele dia como um luto.

"A gente viajou seis horas sem trocar uma palavra. Tudo aquilo que a gente imaginava como família parecia ter ido embora."

"Eu perdi meu filho… e depois voltei com tudo"

Raquel diz que precisou viver o próprio luto antes de conseguir seguir em frente.

"Eu perdi o meu filho. E, a partir do momento que eu cheguei lá no fundo do poço, eu voltei. Eu voltei com tudo."

A partir dali, a rotina da família mudou completamente.

Além da escola, Dudu passou a fazer fisioterapia três vezes por semana, hidroterapia, acompanhamento psicológico, exercícios respiratórios e uma série de tratamentos para tentar desacelerar a progressão da doença.

Todas as noites, ele dorme usando órteses nas pernas para preservar os movimentos.

Mesmo assim, Raquel tenta manter viva a infância do filho.

"Ele ama videogame. E a gente precisa deixar ele viver essas coisas também."

A esperança que custa R$ 17 milhões

Durante anos, os tratamentos disponíveis eram apenas paliativos. Até que, em 2023, surgiu uma nova esperança: o Elevidys, uma terapia gênica aprovada nos Estados Unidos para pacientes com Duchenne.

O medicamento é considerado um divisor de águas porque consegue interromper a progressão da doença.

"Antes da terapia gênica, os meninos viviam até 30 anos, no máximo. Hoje eles já podem contar outra história", diz Raquel.

O problema é o custo.

Atualmente, o tratamento custa cerca de R$ 17 milhões no Brasil.

A família abriu uma Vakinha para tentar arrecadar o valor necessário e dar ao filho uma chance de continuar andando e preservando sua qualidade de vida.

No Brasil, a Anvisa aprovou o medicamento apenas para crianças de até 7 anos e 11 meses. Dudu já tem 11 anos — embora continue apto clinicamente para receber a terapia, segundo os médicos.

"Hoje, o Dudu está apto para tomar o medicamento. Mas judicialmente ele é negado por causa da idade", explica Deivisson.

"Eu olho pro Dudu e vejo esperança"

Apesar da rotina intensa, da exposição nas redes sociais e da campanha nacional, Raquel diz que tenta não se definir pelo rótulo que costuma ouvir.

"Todo mundo fala 'mãe guerreira'. Mas eu olho pro Dudu e vejo força, vejo esperança. Então eu não tenho como ficar triste."

Nos últimos meses, a história da família mobilizou Erechim, no Rio Grande do Sul, e ganhou apoio de milhares de pessoas pela internet.

Hoje, Dudu já soma quase dois mil "dindos", como a família chama os apoiadores da campanha.

Para Raquel, cada compartilhamento representa mais do que ajuda financeira, mas a possibilidade de manter o filho sonhando.

"Ele é a minha motivação. Ele é a minha vida. E eu tenho certeza que a gente vai conseguir."

Vakinha
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