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Astrônomos descobrem planeta mais quente que a maioria das estrelas

5 jun 2017
14h59
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Uma equipe internacional de astrônomos descobriu um planeta fora do Sistema Solar com uma gigantesca e brilhante cauda de gás, que lembra um cometa, e cuja temperatura da superfície é superior a 4.300 graus centígrados, maior que a da maioria das estrelas.

O planeta, batizado como KELT-9b e que orbita a estrela KELT-9, foi localizado a 650 anos luz da Terra, na constelação de Cygnus, de acordo com a pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista "Nature".

O novo exoplaneta alcança durante o dia os 4.315 graus centígrados, ou seja, apenas 1.093 graus a menos que a temperatura do Sol.

Além disso, a radiação ultravioleta da estrela que KELT-9b orbita é tão brutal que o planeta poderia literalmente evaporar devido ao intenso resplendor, produzindo uma cauda de gás brilhante.

Estas informações foram oferecidas por uma equipe liderada por astrônomos das universidades de Ohio State e Vanderbilt, ambas nos Estados Unidos, e que será apresentado na reunião da American Astronomical Society, que acontece esta semana em Austin, no Texas.

O exoplaneta é também um gigante gasoso com massa 2,8 vezes maior que Júpiter, mas que tem metade de sua densidade, pois a radiação extrema de KELT-9 fez com que sua atmosfera se inflasse como um balão.

Devido ao fato de o planeta estar sendo continuamente bombardeado pela radiação estelar, o calor é tão extremo que não é possível formar moléculas como a água, o dióxido de carbono e o metano.

"É um planeta segundo as definições típicas baseadas em massa, mas sua atmosfera é diferente de qualquer outro planeta que já vimos até agora devido a sua temperatura durante o dia", explicou Scott Gaudi, professor de astronomia da The Ohio State University e coautor do estudo.

A razão par que sua temperatura seja tão alta é que a estrela que ele orbita tem mais que o dobro do tamanho e é quase duas vezes mais quente que o nosso Sol.

"KELT-9 propaga tanta radiação ultravioleta que pode fazer o planeta evaporar completamente. Ou então, se os planetas gigantes gasosos como KELT-9b possuírem núcleos rochosos sólidos como algumas teorias sugerem, o planeta poderia ser reduzido a uma rocha estéril, como (o planeta) Mercúrio", explicou Keivan Stassun, professor de Física e Astronomia em Vanderbilt, que coordenou o estudo com Gaudi.

Por outro lado, a órbita do planeta está muito próxima da estrela, por isso, caso a estrela comece a se expandir, acabará engolindo KELT-9b.

"KELT-9 se inchará para se transformar em uma estrela gigante vermelha em cerca de 1 bilhão de anos", acrescentou Stassun.

O planeta foi observado pela primeira vez em 2014, quando sua órbita transitava pela face de sua estrela. Devido a seu período extremadamente curto, a órbita quase polar e ao fato de que sua estrela é oblata, ao invés de esférica, os especialistas calculam que o planeta ficará fora de visão em aproximadamente 150 anos e não voltará a ser visível até dentro de três milênios e meio.

EFE   

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