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Vídeo com homens armados mostra entrega comercial em Gaza, não saque de ajuda da ONU pelo Hamas

IMAGENS DE CAMINHÕES ESCOLTADOS CIRCULAM FORA DE CONTEXTO; AUTOR DA GRAVAÇÃO E IMPRENSA LOCAL RELATARAM QUE VEÍCULOS ERAM GUARDADOS PORQUE LEVAVAM PRODUTOS COMERCIAIS

1 ago 2025 - 14h31
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O que estão compartilhando: vídeo mostraria terroristas do Hamas saqueando caminhões de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) na Faixa de Gaza. As imagens mostram vários veículos em alta velocidade com produtos cobertos e pessoas armadas.

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. O responsável pela gravação do vídeo original explicou que as imagens mostram caminhões levando produtos aos comerciantes em Gaza. A filmagem também foi compartilhada por uma rede de televisão do Qatar que, a partir de fontes palestinas, descreveu as cenas como homens armados que protegiam cargas comerciais. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (sigla UNRWA, em inglês) disse ao Verifica que não registrou desvios de ajuda humanitária na Faixa Gaza pelo Hamas ou outros grupos armados.

Saiba mais: Circula nas redes sociais um vídeo em que é possível ver homens armados protegendo caminhões com produtos na Faixa de Gaza. Usuários passaram a apontar que se tratava do Hamas roubando ajuda humanitária, mas não há evidências dessas alegações.

Por meio da busca reversa (saiba como fazer), o Verifica identificou que a filmagem foi feita pelo videomaker Saeed Mohamed, cidadão de Gaza que compartilha no Instagram registros da sua vida durante a guerra. No vídeo original, a legenda diz que: "Caminhões foram escoltados para comerciantes sob fortes medidas de segurança em Deir al-Balah [cidade]".

A reportagem entrou em contato com Mohamed, que explicou que o vídeo não mostra saques feitos pelo Hamas. "São caminhões para os comerciantes. Esses que atiram são filiados aos vendedores e fazem a segurança das cargas", disse por mensagem.

Segundo ele, as pessoas jogam pedras nos veículos "porque estão com fome".

O mesmo vídeo também foi compartilhado pela rede de televisão e notícias árabe Al Arabiya TV, do Qatar. Em suas redes sociais, o canal registrou que os caminhões levavam alimentos destinados a comerciantes em Gaza. Fontes palestinas negaram ao jornal que os veículos estivessem levando ajuda humanitária.

O Verifica não localizou reportagens da imprensa internacional e profissional nos últimos dias que descrevessem o caso como um roubo de ajuda humanitária pelo Hamas.

Não há registro de roubo de suprimentos da ONU pelo Hamas

Em nota enviada ao Verifica, a agência da Organização das Nações Unidos que presta apoio aos refugiados da Palestina, a UNRWA, afirmou que "não recebeu nenhuma denúncia específica sobre qualquer desvio de ajuda humanitária pelo Hamas ou outros grupos armados na Faixa de Gaza".

Segundo o esclarecimento, o fornecimento de suprimentos pela UNRWA não tem intermediários, "o que significa que tem controle total sobre seu mecanismo de distribuição".

A agência ainda enfatizou que "as alegações de desvio de ajuda, indicado pelas autoridades israelenses, ainda não têm evidências e comprovação".

De acordo com a UNRWA, as acusações são usadas como pretexto para justificar o sistema de distribuição de ajuda apoiada por Israel e Estados Unidos, o Gaza Humanitarian Foundation (GHF).

Como publicou o Estadão Verifica em 3 de julho, organizações com experiência em operações de ajuda humanitária, como o Médicos Sem Fronteiras, negaram haver comprovação de que doações estejam sendo desviadas pelo Hamas. As entidades sinalizam a dificuldade de levar suprimentos com as restrições de Israel.

Jornais internacionais relatam que há uma situação generalizada de desespero e disputa por alimentos em meio à fome em Gaza. Notícias nos últimos dias mostram que centenas de pessoas foram mortas enquanto tentavam obter comida em pontos de distribuição, como publicou a Al Jazeera e a BBC.

Uma análise da Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC, em inglês), divulgada no site da ONU, projetou "níveis catastróficos" de insegurança alimentar para toda a população em Gaza. Os especialistas apontam que pelo menos meio milhão de pessoas estejam na fase 5 da escala - caracterizada por miséria, fome e morte.

Estadão
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