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Governo não criou imposto pra quem movimenta mais de R$ 5 mil no Pix; post compartilha vídeo antigo

DECLARAÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO GRAVADA EM JANEIRO CIRCULA FORA DE CONTEXTO; RECEITA FEDERAL APENAS AMPLIOU OBRIGAÇÃO DE FINTECHS DE MONITORAR TRANSAÇÕES SUSPEITAS

23 set 2025 - 09h31
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O que estão compartilhando: vídeo do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) com críticas a uma decisão do governo Lula sobre o monitoramento de transações acima R$ 5 mil na modalidade Pix. Legenda sobreposta ao vídeo diz: "Mais um absurdo. Mais impostos. Minha felicidade (é) que você petista também vai pagar."

Publicação regsta vídeo antigo do senador Flávio Bolsonaro que critiva medida que não existe mais
Publicação regsta vídeo antigo do senador Flávio Bolsonaro que critiva medida que não existe mais
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. A Constituição Federal não permite que seja cobrada taxa sobre movimentações financeiras, como por exemplo saques, transferências e pagamentos. No vídeo, gravado no começo do ano, Flávio falava de uma tentativa do governo federal para aumentar o monitoramento de transações suspeitas feitas nas instituições de pagamentos conhecidas como fintechs. Transações feitas a partir de R$ 5 mil, inclusive na modalidade Pix, deveriam ser informadas. A medida não previa a criação de um novo tributo, mas foi revogada dias depois da publicação após ter sido alvo de uma campanha de desinformação. O governo só conseguiu colocar o monitoramento em prática em agosto. Naquele mês, a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, revelou como facções criminosas estavam se valendo de brechas na legislação das fintechs para lavar dinheiro de origem ilícita. As instituições de pagamentos passaram a ter o mesmo tratamento de bancos tradicionais.

Saiba mais: Um usuário do Instagram repostou nesta segunda-feira, 22, um vídeo de Flávio no qual o parlamentar critica a decisão da Receita Federal em monitorar as transações Pix que ultrapassam R$ 5 mil por mês, feitas por pessoas físicas. No entanto, a declaração do parlamentar não é atual: foi postada em 11 de janeiro nas redes sociais dele (Instagram e Facebook).

Dias depois, a decisão do Fisco que foi alvo de críticas do senador foi revogada. Mesmo desatualizado, o vídeo voltou a circular junto com a seguinte legenda: "Mais um absurdo, mais impostos. Minha felicidade que você petista também vai pagar".

O conteúdo sugere que um novo tributo teria sido criado pelo governo, o que não é verdade. Em menos de 24 horas no ar, a postagem feita pelo usuário do Instagram ultrapassou 100 mil visualizações.

Governo tinha como alvo sonegadores

Desde a criação em 2020, o Pix é monitorado. Os bancos reportavam à Receita Federal a movimentação financeira mensal de pessoas físicas que ultrapassam R$ 2 mil e de empresas acima de R$ 6 mil.

Em 1º de janeiro, entrou em vigor uma regra da Receita Federal (Instrução Normativa da Receita Federal n° 2219/2024) que determinava duas mudanças:

aumento no piso da movimentação monitorada de R$ 2 mil para R$ 5 mil para pessoas físicas, e de R$ 6 mil para R$ 15 mil para pessoa jurídica;determinou que além dos bancos, as instituições de meio de pagamento (como fintechs, plataformas e aplicativos de pagamentos, bancos virtuais, e varejistas de grande porte) também teriam que reportar as movimentações.

Sob a nova regulamentação, todas as movimentações de pagamentos instantâneos e de cartões de crédito que ultrapassassem os valores estipulados em um mês seriam reportadas à Receita Federal, permitindo um controle e fiscalização mais efetivos dessas transações e coibindo sonegação.

Mas no dia 15 de janeiro, o governo voltou atrás da decisão, por causa de uma onda de circulação de informações falsas e distorcidas sobre o tema - entre elas, a de que o Pix seria taxado. Somente no final de agosto, após a Operação Carbono Oculto, o governo conseguiu retomar a iniciativa.

A Instrução Normativa nº 2278 obriga as instituições de pagamento e os participantes de arranjos de pagamentos - as chamadas fintechs - a seguirem as mesmas normas dos bancos para a comunicação de movimentações financeiras suspeitas de seus clientes, seguindo o mesmo teto mensal de R$ 2 mil para pessoas física e R$ 6 mil para pessoas jurídicas.

Nunca houve imposto sobre o Pix

Em janeiro, em meio a onda de desinformação sobre o Pix, o Verifica fez uma série de checagens desmentindo boatos (confira abaixo).

Vídeo de Nikolas Ferreira sobre Pix engana ao alegar quebra de sigilo

Influenciador exagera alcance das informações que a Receita recebe sobre transações financeiras

O artigo 153 da Constituição Federal não permite que seja cobrada taxa sobre movimentações financeiras, como saques, transferências e pagamentos via Pix. De acordo com a lei, a União pode taxar:

importação de produtos estrangeiros;exportação de produtos nacionais ou nacionalizados;renda e proventos de qualquer natureza;produtos industrializados;operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários;propriedade territorial rural;grandes fortunas, nos termos de lei complementar.

Em nota, a Receita Federal negou que tivesse criado novos impostos com a publicação da IN n° 2219/2024 e explicou que a medida ampliava o monitoramento em total respeito às normas legais dos sigilos bancário e fiscal.

Estadão
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