Balões da Lei Seca ajudam motoristas a desviar de blitz no Rio
Há cerca de dez dias, o engenheiro Lauro Esteves, 49 anos, voltava para casa pela rua Pinheiro Guimarães, em Botafogo, no Rio de Janeiro, quando, de longe, avistou suspenso a uma altura de cerca de 10 m, o balão branco das blitz da Lei Seca. "Se eu estivesse embriagado, bastaria dobrar à direita e seguir para o Túnel Velho, em vez de passar pela rua São João Batista, onde estava armada a blitz", conta o engenheiro. "Como eu estava sóbrio, segui em frente e ainda comentei com um dos policiais militares que aquele balão sinalizava aos bêbados, que poderiam facilmente escapar da barreira", disse.
O balão é uma das iniciativas da Operação Lei Seca, lançada neste ano no Rio de Janeiro, com o objetivo de reduzir o número de acidentes e de vítimas de trânsito. A campanha pretende educar os motoristas sobre a perigosa mistura entre álcool e direção e aumentar a fiscalização, de caráter permanente, abrangendo os bairros da Capital e municípios da Região Metropolitana do Rio.
E não faltam relatos de fugas da fiscalização que, só no último mês de julho, contribuiu para uma redução de 20,6% no número de vítimas de acidentes de trânsito no Rio de Janeiro, em relação ao mesmo mês de 2008.
Apesar da melhora, muita gente concorda que a quantidade de motoristas alcoolizados flagrados pelos etilômetros poderia ser muito maior se não houvesse o balão.
A Secretaria de Governo do Estado, responsável pelas blitzes da Lei Seca, informou que o balão funciona como um aviso para que o motorista reduza a velocidade do veículo e evite acidentes. Alegou ainda que, mesmo com as informações de que motoristas desviam ao avistar o balão, ele permanecerá sendo utilizado por ser um elemento fundamental para a segurança das operações.
Além do balão, o Twiter é outro aliado daqueles que, com certeza ficariam detidos nas barreiras, correndo o risco de, além de pagar multa de R$ 957,70, perder a carteira de habilitação por 12 meses.
Internautas utilizam o microblog para trocar informações sobre a localização das operações e para fugir delas. Até o momento em que esta reportagem era produzida, o Twitter contra a Lei Seca contava com 6.522 seguidores, que também informa sobre condições de trânsito e acidentes.
Na opinião do advogado Luiz Guilherme Natalizi, a divulgação das blitzes na internet está longe de ser criminosa. "Do ponto de vista da legislação penal, não é crime divulgar informações de localização de blitz. Proibir ou censurar pode violar a liberdade de expressão", comenta.
PM diz que fará mais operações este ano
Apesar da ocorrência de muitas falsas blitzes, a Secretaria de Governo do Estado nega que os balões da Lei Seca tenham a função de avisar aos motoristas que trata-se de uma ação legalizada.
A PM comemora o saldo de ter retirado das ruas, só este ano, 13.696 motocicletas ilegais na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Com a determinação do comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, de enxugar o efetivo administrativo nos batalhões, as blitzes tendem a ser ainda mais intensas este ano em relação a 2008.