TJ-SP: mulher de Edemar Cid Ferreira pode tirar bens de mansão
A Justiça de São Paulo divulgou hoje a decisão da 1ª Vara Cível de Pinheiros que autoriza Márcia de Maria Costa Cid Ferreira, esposa do banqueiro Edemar Cid Ferreira, ex-presidente do Banco Santos, a retirar, até 26 de abril, os bens de natureza estritamente pessoal da mansão do casal. A residência, de 4 mil m², está localizada no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo.
Entre os objetos que podem ser retirados, estão peças de vestuário em geral, cama, mesa e banho, produtos de higiene pessoal, CDs, DVDs, fotos e livros sem valor artístico ou econômico, bem como porta-retratos.
A decisão afirma, ainda, que caso não sejam retirados, os objetos serão armazenados em empresa privada, sendo os custos de responsabilidade de Márcia. Com o mandado de entrega, o processo sai da jurisdição da 1ª Vara Cível e tramitará na Vara da Falência.
De acordo com a Justiça, a demora na entrega dos bens, quase três meses após o despejo, ocorreu em virtude das polêmicas geradas pelo caso. O ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e sua mulher foram despejados da mansão por não pagarem o valor de R$ 20 mil mensais pelo aluguel da residência. A dívida ultrapassa a cifra de R$ 1,7 milhão.
Gestão fraudulenta
Ferreira é ex-dono do Banco Santos e foi condenado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas durante a gestão do banco. Os crimes teriam levado a entidade à falência em 2005, com perdas de mais de R$ 1 bilhão. O processo que determinou a falência começou em 12 de novembro de 2004, quando o Banco Central fez uma intervenção no banco e um ano depois o liquidou.
Ainda no mesmo ano, o Banco Central ordenou o afastamento do banqueiro e de 18 diretores do controle do banco e designou um interventor da entidade. Na época, se determinou que os clientes só poderiam retirar R$ 20 mil de suas contas e o restante ficou retido à espera de uma solução.
Após a intervenção, foram descobertas irregularidades na concessão de empréstimos a empresas em dificuldades financeiras no Brasil em troca da compra de títulos e de investimentos em empresas localizadas em paraísos fiscais. O plano de recuperação não permitiu a reabertura das agências que o Banco Santos operava em 10 grandes cidades brasileiras e o Banco Central optou por declarar a liquidação da entidade em 4 de maio de 2005.