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Scotland Yard será investigada por deter brasileiro em aeroporto, diz ouvidor

20 ago 2013
06h58
atualizado às 08h01
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A polícia britânica deverá ser investigada após deter, por nove horas, o brasileiro David Miranda no aeroporto Heathrow, em Londres. De acordo com o ouvidor independente David Anderson, responsável pela investigação, a Scotland Yard realizou uma operação atípica se baseando na lei antiterror que vigora no país desde 2000. "A lei dá poderes excepcionais e só pode ser usada em casos específicos. Se a polícia não tiver motivo para acreditar que o cidadão seja terrorista, ele deve ser liberado imediatamente", disse. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

<p>David foi recepcionado por seu companheiro, o jornalista Glenn Greenwald, no Rio de Janeiro</p>
David foi recepcionado por seu companheiro, o jornalista Glenn Greenwald, no Rio de Janeiro
Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Segundo Anderson, as autoridades britânicas são obrigadas, por lei, a apresentar uma justificativa clara ao ouvidor. Caso seja constatado abuso, o ouvidor enviará um relatório ao Parlamento britânico sugerindo mudanças na legislação.

Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.

Ainda segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília, pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.

Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.

O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço secreto americano.

Por conta do caso, o governo brasileiro determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) verifique se empresas de telecomunicações sediadas no País violaram o sigilo de dados e de comunicação telefônica. A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as informações sobre o caso.

Após as revelações, a ministra responsável pela articulação política do governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.

Fonte: Terra
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