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Política

Senado recua e desclassifica empresa investigada de licitações de R$ 48 milhões

Decisão anunciada na terça-feira, 18, foi tomada após o Estadão mostrar que o Senado deixou de usar critérios da CGU e habilitou empresa investigada por uso de laranja e declarações falsas; empresa não se manifestou

19 fev 2025 - 21h11
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BRASÍLIA - O Senado recuou e desclassificou a R7 Facilities de duas licitações, com valor total de R$ 48 milhões, nas quais a empresa investigada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) havia sido habilitada e estava em vias de fechar os contratos milionários. Após uma revisão, a Casa detectou "irregularidade insanável" na maneira como a firma se apresentou. Procurada, a firma não comentou.

A decisão foi anunciada na noite de terça-feira, 18. O Estadão havia mostrado que o Senado aceitou a R7 nos certames sem aplicar os critérios de análise usados em uma licitação da CGU na qual a empresa acabou desclassificada. A empresa tem apresentado documentações que lhe dariam direito a um benefício tributário que, na verdade, não pode usufruir. O método permitia a oferta de preços mais vantajosos.

A R7 é uma das maiores prestadoras de serviços de terceirização de mão de obra para órgãos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em Brasília. Como revelou o Estadão, a firma está em nome de um laranja da periferia do Distrito Federal e, mesmo assim, tem contratos milionários com o poder público. Ela é suspeita de integrar um grupo econômico que já soma mais de R$ 1 bilhão em contratos.

"Constatou-se, com razoável certeza, que a empresa R7 não poderia estar enquadrada como beneficiária da desoneração da folha de pagamento, nos termos da Lei n° 12.546/2011, devido ao fato de que sua maior receita auferida ou esperada não corresponde ao CNAE [Classificação Nacional de Atividades Econômicas] que embasa seu enquadramento. Tal fato caracteriza uma irregularidade insanável", destacou.

PF cumpriu mandado da Operação Dissímulo na sede da R7, em Brasília, no dia 11 de fevereiro
PF cumpriu mandado da Operação Dissímulo na sede da R7, em Brasília, no dia 11 de fevereiro
Foto: Vinícius Valfré/Estadão / Estadão

O Senado tem três contratos em vigor com a R7, no valor de R$ 35,9 milhões, para serviços de apoio administrativo, manutenção de ar condicionado e marcenaria. Para todos eles já existe uma licitação em fase final para substituição.

"Caso se mantenha a situação de irregularidade em razão dos fundamentos já expostos, a empresa R7 não será admitida em novas licitações. O Senado reforça seu compromisso com a legalidade, a transparência e a boa gestão dos recursos públicos, adotando todas as medidas cabíveis para resguardar a integridade de seus processos administrativos e garantir a prestação adequada dos serviços contratados", destacou, em comunicado.

A operação da R7 ganhou visibilidade depois que o Estadão revelou que a empresa, em nome de um laranja, foi contratada para serviços de manutenção dentro da penitenciária federal de Mossoró (RN), de onde fugiram dois presos faccionados do Comando Vermelho. A situação foi considerada grave por especialistas por permitir dúvidas sobre o controle de segurança em uma área sensível. O governo federal descartou influência de operários na facilitação da fuga.

No último dia 11, a PF e a CGU deflagraram a Operação Dissímulo contra a R7 e outras empresas ligadas a ele. Foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão. Duas pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma. São investigados crimes como frustração do caráter competitivo de licitação, falsidade ideológica, uso de documento falso e estelionato contra a administração pública.

Estadão
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