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Representante da Davati diz que foi procurado pela Saúde

Na CPI da Covid, Cristiano Carvalho também negou ser o CEO da empresa no Brasil, classificando-se como "só um vendedor"

15 jul 2021 12h48
| atualizado às 13h08
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15/07/2021
 REUTERS/Adriano Machado
15/07/2021 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

O representante da empresa Davati Cristiano Carvalho, disse em depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira, 15, que ele foi procurado por representantes do Ministério da Saúde para tratar da venda de vacinas contra covid-19 ao governo federal e que não foi ele a procurar a pasta para discutir o eventual negócio.

No depoimento, Carvalho também negou ser o CEO da Davati no Brasil e disse não ter vínculo empregatício com a empresa, sendo, segundo ele, "só um vendedor" responsável por fazer a aproximação da companhia com o ministério.

O depoente classificou de "fantasiosas" as declarações dadas à CPI pelo cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Dominguetti, que disse em depoimento à comissão que Carvalho era o presidente-executivo da Davati no Brasil.

Dominguetti se apresentou como representante da empresa e disse ter recebido do servidor exonerado do Ministério da Saúde Roberto Dias, um pedido de propina de 1 dólar por dose de vacina para fechar uma venda de 400 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca ao ministério. Dias nega irregularidades e saiu preso da CPI quando lá prestou depoimento, acusado de mentir sob juramento.

"Atuei somente como vendedor e fiz essa aproximação. De forma equivocada, errônea - e não sei explicar exatamente o porquê, foi dito que eu era o CEO aqui da empresa no Brasil, e nem existe essa posição na empresa no Brasil. Eu só realmente atuei como um representante de vendas, um vendedor ou algo que o valha", disse Carvalho.

A testemunha disse ainda ter conhecido Dominguetti em janeiro deste ano e afirmou que só recentemente soube que ele é policial militar. Também negou ter sido ele a procurar o ministério para tentar vender vacinas e mostrou mensagens de celular impressas que apontam que ele foi procurado por Roberto Dias.

"Eu nunca entrei em contato com o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde é que me procurou através do sr. Roberto Ferreira Dias", disse.

Carvalho disse que esteve somente uma vez no Ministério da Saúde, em Brasília, no dia 12 de marco, e na ocasião se reuniu, com o então secretário-executivo da pasta, o coronel Élcio Franco, entre outras pessoas. Franco também já ouvido pela CPI.

A nova menção a Franco, que deixou a secretaria-executiva do Ministério da Saúde e atualmente ocupa o cargo de assessor especial da Casa Civil, levou o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), a defender que ele seja exonerado do cargo pois, segundo o presidente do colegiado, uma pessoa que tem o nome envolvido em suspeitas de irregularidades não pode ocupar um cargo "na antessala" do gabinete do presidente da República.

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