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Política

'Nunca misturei amizade com interesse público', diz Cabral sobre fotos

28 abr 2012 - 15h11
(atualizado às 15h20)
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O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), divulgou uma nota oficial em que explica sua aparição em fotografias ao lado de Fernando Cavendish, recém afastado do comando da Delta, empreiteira suspeita de ter atuado no esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira. As imagens foram divulgadas pelo ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) em seu blog, onde descreve que Cabral, dois secretários e Cavendish estariam "dançando" na frente do Hotel Ritz em Paris, durante uma viagem oficial do governador.

Segundo Garotinho, as fotos em que aparecem Cabral, Cavendish e secretários foram feitas durante uma viagem oficial
Segundo Garotinho, as fotos em que aparecem Cabral, Cavendish e secretários foram feitas durante uma viagem oficial
Foto: Reprodução

Veja abaixo a íntegra da nota:

Com relação a imagens veiculadas no blog do ex-Governador Anthony Garotinho, o Governador Sérgio Cabral declara:

"Nunca neguei minha amizade com o empresário Fernando Cavendish.

Jamais imaginei e, muito menos tinha conhecimento, que a sua empresa fizesse negócios com um contraventor no Centro-Oeste brasileiro.

Quando assumi o governo, a Delta já era uma das maiores empreiteiras do Rio e do Brasil.

Nunca na minha vida misturei amizade com interesse público.

Levantamento feito pela Secretaria de Fazenda demonstra que no Governo anterior ao nosso, os investimentos totais foram de R$ 4 bi e 985 milhões.

E a Delta recebeu por obras realiadas R$ 402 milhões.

Já no nosso Governo, os investimentos totalizaram R$ 14 bi e 754 milhões.

E a empresa recebeu R$ 1 bi e 176 milhões.

Isso significa que a empresa teve no governo anterior uma participação de 8,07% no total investido.

E, no nosso Governo, de 7,98%.

A diferença é que mais do que triplicamos o valor investido pelo Estado.

São dados do SIG-Sistema de Informações Gerenciais e do Portal de Transparência Fiscal.

Vamos continuar realizando as mudanças na qualidade dos serviços públicos do Estado.

Melhorando cada vez mais a vida do cidadão do nosso Estado.

Conquistando reconhecimento internacional pela forma como gerenciamos o nosso Governo.

E, sobretudo, trabalhando para o nosso povo que nos reelegeu com 68% dos votos no primeiro turno e sente, no seu dia-a-dia, a vida da sua família melhorar no Estado do Rio."

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Fonte: Terra
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