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Maia busca ser contraponto a Bolsonaro e se prepara para 2022

Presidente da Câmara considera natural apoio do DEM a Doria ou a Huck na corrida para o Palácio do Planalto

6 jul 2019
07h49
atualizado às 09h06
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Mesmo com três ministérios, o DEM já se prepara para seguir caminho alternativo ao do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), reforçou sua equipe de comunicação digital, passou a gravar podcasts toda segunda-feira e decidiu dar mais atenção às redes sociais. Fiador da reforma da Previdência e com trânsito no mercado, Maia adotou um estilo de contraponto a Bolsonaro na centro-direita e se movimenta para vestir tanto o figurino de candidato como o de vice, na próxima disputa ao Palácio do Planalto, a depender das circunstâncias.

Em entrevista concedida ontem ao programa Pânico, da Jovem Pan, o deputado lançou iscas na direção do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), mas também acenou para o apresentador de TV Luciano Huck. "O governador de São Paulo é sempre um pré-candidato muito forte. É sempre um ator fundamental no processo e tem uma boa relação conosco. Não só o João (Doria), mas o PSDB como um todo. Como também seria natural estarmos com Luciano Huck, se ele for candidato", disse Maia.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil / Estadão Conteúdo

Huck quase concorreu a presidente, no ano passado, mas desistiu. À época, a ideia do PPS (hoje Cidadania) era mostrar o apresentador como um candidato com "projeto reformista e preocupação social". Agora, Huck voltou a ser assediado para a disputa de 2022 e, diante desse cenário, Maia já se posiciona no jogo.

Nos bastidores do Congresso é voz corrente que, se Bolsonaro não cair, tentará o segundo mandato. Escaldados com a última campanha, na qual as redes sociais derrubaram o mito de que o candidato com maior tempo de TV na propaganda eleitoral tem mais chance de vitória, políticos começaram a montar com antecedência estratégias de comunicação digital.

Território

Maia tem feito de tudo para demarcar território e diferenças com Bolsonaro ao assinalar que sua agenda não é apenas econômica, mas também social. Sem esconder a contrariedade com o fato de o presidente se referir a integrantes do Centrão e a boa parte do Congresso como "velha política", Maia foi irônico, ontem, ao comentar a expressão pejorativa. "Ele foi muito competente porque, com sete mandatos de deputado, representa a nova política. Ele conseguiu ficar esse tempo todo no Parlamento e representa a nova política. Parabéns pra ele", provocou.

Antes, o presidente da Câmara já havia recusado convite de Bolsonaro para assistir à final da Copa América entre Brasil e Peru, amanhã, no Maracanã, no Rio. A interlocutores próximos, Maia sempre diz que desistiu de entender "a cabeça" do presidente, que, no seu diagnóstico, estimula a divisão do País pelo Twitter.

Nos seis meses de governo, o deputado se aproximou do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Bastaram críticas de Guedes ao relatório de Samuel Moreira (PSDB-SP) na reforma da Previdência, porém, para o caldo entornar. A partir daí, o relacionamento entre os dois ficou estremecido. Na outra ponta, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni - que é do DEM, mas não tinha boa relação com Maia -, acabou se aliando a ele após ter as atribuições no governo esvaziadas por Bolsonaro.

Embora a eleição de 2022 pareça distante, a cúpula do DEM tem mantido conversas com Doria. O vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, é filiado ao partido de Maia e assumirá o Palácio dos Bandeirantes se Doria deixar o cargo, como previsto, para concorrer ao Planalto.

Seja como candidato ou vice, Maia levará na bagagem projetos pelos quais se empenha na Câmara e que podem embalar sua plataforma eleitoral, como medidas contra o desemprego. Mas ele não está sozinho no DEM na intenção de alçar voos mais altos. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também tenta atrair apoio. "Se as condições forem propícias, vou dizer não?", perguntou Caiado.

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Estadão
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