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Política

Governo Lula eleva o tom e afirma deplorar 'manifestações indevidas' dos EUA

Itamaraty reage novamente a apoio declarado de autoridades diplomáticas americanas a Jair Bolsonaro e ataques ao processo no STF

15 jul 2025 - 16h51
(atualizado às 18h36)
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Resumo
Governo Lula critica manifestações dos EUA sobre o julgamento de Bolsonaro no STF e políticas comerciais, chamando-as de intromissões indevidas, enquanto negocia com Washington para evitar tarifaço.

BRASÍLIA - O governo Luiz Inácio Lula da Silva escalou o tom contra o governo Donald Trump e afirmou nesta terça-feira, dia 15, deplorar o que chamou de "manifestações indevidas" de autoridades dos Estados Unidos.

Em paralelo à tentativa de negociar um recuo de Trump no tarifaço de 50% contra exportações brasileiras, anunciado com viés político, o Ministério das Relações Exteriores voltou a rebater declarações disseminadas pelo Departamento de Estado, desde Washington, e reproduzidas em âmbito doméstico pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

"O governo brasileiro deplora e rechaça, mais uma vez, manifestações do Departamento de Estado norte-americano e da embaixada daquele país em Brasília que caracterizam nova intromissão indevida e inaceitável em assuntos de responsabilidade do Poder Judiciário brasileiro. Tais manifestações não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países", disse o Itamaraty, em nota.

Mais cedo, o próprio Trump voltou a dizer na Casa Branca que considera o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro uma "caça às bruxas" e que seu aliado político não é "desonesto".

Eduardo Bolsonaro diz que pode desistir de mandato para ficar nos EUA:

O perfil oficial no X (antigo Twitter) da embaixada america em Brasília republicou na noite desta segunda-feira, dia 14, um posicionamento do Departamento de Estado, com reiteradas críticas ao processo penal contra Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal (STF).

A publicação ocorreu na mesma noite em que a Procuradoria-Geral da República pediu a condenação de Bolsonaro por golpe de Estado.

Horas antes, o subsecretário para Diplomacia Pública dos EUA, Darren Beattie, se referiu ao STF como a "Suprema Corte de Moraes" (uma referência ao ministro-relator Alexandre de Moraes). Beattie afirmou que Bolsonaro sofria "ataques" da Corte e do governo petista e os chamou de uma "vergonha" - termo já usado antes pelo próprio Trump.

"O presidente Trump enviou uma carta impondo consequências há muito esperadas à Suprema Corte de Moraes e ao governo Lula por seus ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio americano. Tais ataques são uma vergonha e estão muito abaixo da dignidade das tradições democráticas do Brasil. As declarações do presidente Trump são claras. Estaremos observando atentamente", escreveu Beattie, um ex-assessor da Casa Branca, empresário e estrategista político que exerce agora função na chancelaria e se define como um "apaixonado por promover afirmativamente a liberdade de expressão como uma ferramenta diplomática".

Veja os crimes atribuídos a Bolsonaro pela PGR ao pedir condenação por tentativa de golpe de Estado:

Como mostrou o Estadão, em paralelo o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) e o vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, tentam retomar rodadas de negociação técnica para evitar o tarifaço. Eles rascunharam uma carta que poderá ser entregue a suas contrapartes pela Embaixada do Brasil em Washington.

"No que se refere ao comércio, o Brasil vem negociando com autoridades norte-americanas, desde março, questões relativas a tarifas, de interesse mútuo, e está disposto a dar sequência a esse diálogo, em benefício das economias, dos setores produtivos e das populações de ambos os países. A equivocada politização do assunto não é de responsabilidade do Brasil, país democrático cuja soberania não está e nem estará jamais na mesa de qualquer negociação", afirmou a chancelaria brasileira.

PGR pede condenação de Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado:

Este é o terceiro caso, em menos de uma semana, de embate direto e protesto diplomático de parte de Lula contra ingerências de autoridades do governo Trump no Brasil. Na semana passada, o encarregado de negócios dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar, foi convocado duas vezes para ouvir reprimendas no Itamaraty. Escobar chefia interinamente a representação americana enquanto Trump não indica um embaixador, um sinal de relações políticas esvaziadas.

A primeira chamada ocorreu porque a embaixada americana havia remetido em resposta à imprensa nacional uma crítica direta à ação penal contra Bolsonaro, com teor similar ao distribuído antes em Washington. Ele ouviu que a atitude era uma "intromissão indevida e inaceitável".

Também na quarta-feira passada, dia 9, o diplomata teve de retornar ao Itamaraty para confirmar a autenticidade e "receber de volta" a carta em que Trump anunciou o tarifaço de 50% contra o País. O governo brasileiro também publicou notas, por meio do Palácio do Planalto, com a resposta oficial de Lula, que ameaça aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica.

BRASILIA DFA NACIONAL LULA BONE 04-02-2025 Guerra dos bones : Lula aparece com acessório usado por aliados Boné temático com a frase "O Brasil é dos Brasileiros" foi visto na cabeça de ministros do governo no último sábado (1º) foto Reproducao Ricardo Stuckert Presidencia da Republica
BRASILIA DFA NACIONAL LULA BONE 04-02-2025 Guerra dos bones : Lula aparece com acessório usado por aliados Boné temático com a frase "O Brasil é dos Brasileiros" foi visto na cabeça de ministros do governo no último sábado (1º) foto Reproducao Ricardo Stuckert Presidencia da Republica
Foto: Reproducao Ricardo Stuckert Presidencia da Republica / Estadão
Estadão
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