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Política

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Flávio chama busca da PF na casa de Bolsonaro de 'cortina de fumaça' para apagar sua atuação nos EUA

Flávio está em Washington desde segunda-feira para participar de uma audiência no Escritório do Representante Comercial dos EUA sobre a aplicação de tarifas ao Brasil

8 jul 2026 - 11h53
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BRASÍLIA - O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira, 8, que a busca e apreensão feita mais cedo pela Polícia Federal (PF) na casa de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é uma "cortina de fumaça" para ofuscar sua atuação nos Estados Unidos.

Flávio está em Washington desde segunda-feira para participar de uma audiência no Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre a aplicação de tarifas ao Brasil. Ele vem tentando se desvincular do tarifaço anunciado pelo governo Trump.

Flávio Bolsonaro faz transmissão ao vivo para falar de audiência no USTR e de busca e apreensão contra o pai, Jair Bolsonaro
Flávio Bolsonaro faz transmissão ao vivo para falar de audiência no USTR e de busca e apreensão contra o pai, Jair Bolsonaro
Foto: @flaviobolsonaro via YouTube / Estadão

Anunciada com a justificativa de tratar da ação da PF contra o pai, a transmissão ao vivo de 25 minutos no YouTube foi usada por Flávio para falar majoritariamente das tarifas. Ele dedicou os últimos oito minutos ao episódio ocorrido no Brasil e abordou, de forma genérica, outros imbróglios jurídicos pelo País.

"Bolsonaro acabou de tomar outra busca e apreensão agora pela manhã. É uma clara tentativa de criar uma cortina de fumaça neste momento em que eu estou aqui trabalhando pelo Brasil, para tentar dividir o noticiário com coisas negativas", disse.

A PF cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, em Brasília, para procurar armas e munições. A ação foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A diligência ocorreu após Bolsonaro ter entregado as armas registradas em seu nome, depois que uma delas foi apreendida em uma blitz no Distrito Federal, em junho, fato que levou o Exército a encaminhar todo o arsenal do ex-presidente à PF por ordem de Moraes.

Para verificar se havia ainda outras armas na residência, o ministro do STF determinou essa busca e apreensão. Um dos advogados de Bolsonaro, João Henrique Freitas, afirmou que nada foi encontrado nem apreendido na ação.

Flávio também declarou na transmissão que a ação da PF é "mais uma comprovação", nas palavras dele, de que o "sistema" está incomodado com a sua atuação. E sugeriu que autoridades vêm tentando minar seu grupo político, dando como exemplos dois Estados em que candidatos do PL tiveram problemas com a Justiça Eleitoral para assumir mandatos de governador.

"Estão a todo momento, na mão grande, na canetada, tentando interferir nas eleições em vários locais do Brasil, no Rio de Janeiro, Roraima, vários lugares", disse.

Antes disso, o senador reafirmou que está nos Estados Unidos para defender o Brasil "das tarifas e do Lula" e repetiu as críticas de que não havia representantes do governo brasileiro na audiência.

O Palácio do Planalto decidiu não se inscrever para discursar no evento e justificou que não se trata do espaço adequado para essa negociação, que vem sendo feita pelo alto escalão de ambos os governos. Flávio vem explorando essa situação.

O PT vem tentando grudar no rival a pecha de "Tariflávio", em meio aos esforços dos bolsonaristas com a Casa Branca para punir o Brasil em razão de uma suposta perseguição do STF contra Bolsonaro. Flávio esteve com Trump dias antes do anúncio das tarifas, o que ajudou a engrossar o discurso de que o senador participa das articulações.

A pré-campanha de Flávio, por sua vez, notando um desgaste em relação ao episódio, tem contra-atacado, chamando a sigla PT (Partido dos Trabalhadores) de "Partido do Tarifaço". A decisão de ir até a audiência no USTR é parte dessa estratégia de se blindar das críticas pelo tarifaço, que vai afetar o comércio e os empresários brasileiros.

Situação do PL no Rio e em Roraima

Bolsonaristas do Rio vêm reivindicando a cadeira de governador para seu grupo político, uma vez que um impasse impede o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), de assumir o posto.

Com a renúncia de Cláudio Castro do Palácio Guanabara para concorrer ao Senado, os bolsonaristas esperavam que Ruas assumisse a cadeira e pavimentasse o caminho para a reeleição, aproveitando a força da máquina estatal para alavancar a campanha.

Entretanto, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador Ricardo Couto, acabou assumindo o Palácio Guanabara porque, no momento da renúncia de Castro, no fim de março, ele era o primeiro na linha sucessória do governo.

O ex-vice-governador Thiago Pampolha tinha renunciado ao posto para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado, e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa, que seria o terceiro na fila, foi preso e perdeu seus direitos políticos.

O Supremo Tribunal Federal deve retomar em agosto o julgamento que definirá como será escolhido o governador para mandato-tampão no Rio de Janeiro.

Após pedir vista (mais tempo para análise) e suspender o julgamento em abril, o ministro Flávio Dino devolveu o processo na terça-feira passada, 30. A expectativa é que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, inclua o caso na pauta logo após o fim do recesso do Judiciário.

Já em Roraima, o ex-prefeito de Boa Vista (RR) Arthur Henrique (PL) foi o candidato mais votado na eleição suplementar para o governo estadual realizada em 21 de junho, mas o registro de sua candidatura permanece sob análise dos tribunais superiores.

Após decisão de Flávio Dino, a Justiça Eleitoral de Roraima barrou a candidatura dele por não seguir os prazos de desincompatibilização previstos na Lei Complementar nº 64/90.

Arthur recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o recurso ainda não foi julgado. No entanto, como mostrou o Estadão, a regra que vale é a decidida por Dino, referendada pela maioria da Primeira Turma. A única forma de o ex-prefeito tomar posse é se o Supremo mudar de entendimento.

Enquanto isso, Soldado Sampaio permanece no comando do Estado de forma interina. A eleição suplementar para mandato-tampão até janeiro de 2027 foi convocada em abril, após a cassação dos mandatos do então governador Antonio Denarium e do vice-governador Edilson Damião. Os dois foram condenados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 e estão inelegíveis.

Estadão
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