Dino cita vídeo de Porchat sobre jornalistas: 'Nós estamos parecidos'
Humorista brincou com desdobramentos do caso Master e da crise no STF
O ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal (STF) citou o vídeo do humorista Fábio Porchat durante a sessão da Corte nesta terça-feira, 15, que julga se o ministro Alexandre de Moraes será ou não investigado por suspeita de relação com Daniel Vorcaro.
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"Vossa excelência viu o vídeo de Fábio Porchat? É um vídeo muito bom, porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque estava decretando prisão de gente. Porque é tanta petição, presidente... Mas é bom você ouvir o vídeo, ele fala dos jornalistas", perguntou Dino ao presidente da Corte, o ministro Edson Fachin.
No vídeo em questão, Porchat brinca com a rotina exaustiva de jornalistas nos últimos dias após os desdobramentos do caso Master e da crise na Suprema Corte. Na sátira, o humorista também pede para que Fachin evite novos vazamentos ou quebra de sigilo às 23h.
"Ele se aplica a nós, é um vídeo sobre jornalistas que se aplica aos juízes do Tribunal", acrescentou Dino. "Eu estou vendo os ofícios que chegaram, que são hemorrágicos. Estou recebendo esse, mais um", respondeu Fachin.
O que está em análise?
O Plenário da Corte avalia o relatório da Polícia Federal (PF), pedido por Mendonça, que apontou envios de 52 mensagens de Vorcaro para Moraes. Entre os principais destaques do documento estão solicitações do-ex banqueiro para que o ministro atuasse junto à cúpula da corporação e à Procuradoria-Geral da República, além de questionamentos sobre o avanço da Operação Compliance Zero, para interromper as investigações relacionadas a negócios fraudulentos envolvendo o banco.
As conversas foram extraídas do celular do ex-Master e teriam ocorrido entre 4 e 17 de novembro de 2025, período que antecedeu a primeira prisão do banqueiro. Nas mensagens, Vorcaro pergunta se deveria deixar o País para evitar a prisão e faz referências a delegados e procuradores envolvidos nas apurações. Como eram enviadas em formato de visualização única, por meio de capturas de tela, a investigação teve acesso apenas ao conteúdo encaminhado pelo banqueiro, sem recuperar as respostas de Moraes.
Também estará em discussão o pedido de nulidade apresentado pela PGR, além da possibilidade de abertura ou arquivamento de uma investigação contra Moraes. No começo do mês, a Procuradoria-Geral da República se manifestou pela nulidade da apuração solicitada por Mendonça, que era relator do caso até o começo deste mês.
Quem participa da sessão?
Ao todo, vão participar da sessão o presidente da Corte, Edson Fachin, e os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, a decana Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques. Toffoli deverá se declarar impedido e Moraes não deverá participar da votação.
Como será o rito da sessão?
Após a abertura dos trabalhos, é feita a leitura e a aprovação da ata da sessão anterior, seguida da saudação de praxe aos ministros. Na sequência, foi realizado o pregão do processo.
Como relator do caso, Fachin fica responsável pela leitura do relatório e a delimitação do objeto de julgamento — no caso, a regularidade nos procedimentos da PF para a elaboração do documento publicizado por Mendonça e, se aprovada, a instauração de um inquérito sobre a conduta de Moraes na relação com Vorcaro.
Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a possibilidade de se manifestar, assim como haverá espaço para eventuais sustentações orais.
Após as manifestações, o relator apresentará seu voto. Em seguida, os demais ministros votam de acordo com a ordem regimental. Ao fim do julgamento, o presidente proclamará o resultado.
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