0

De Feliciano a mensaleiros: comissões viram guerra política no Congresso

Rejeição ao deputado Marco Feliciano é o caso mais emblemático do contraste entre o tema das comissões e o perfil de seus componentes

14 abr 2013
16h13
atualizado às 16h14
  • separator
  • 0
  • comentários

Não é de hoje que Congresso Nacional conta com alguns contrastes entre o tema de uma comissão e o histórico de seus presidentes. O fenômeno, considerado por alguns assessores políticos que preferiram não se identificar como "raposas cuidando de galinheiros", em muitos casos é fruto de arranjos partidários e jogadas políticas.

<p>Deputado Marco Feliciano é alvo de protestos desde que assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara</p>
Deputado Marco Feliciano é alvo de protestos desde que assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara
Foto: Alexandra Martins / Agência Câmara

O caso emblemático mais recente é o do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que foi eleito neste ano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Desde então, ele vem sofrendo pressão de movimentos sociais para renunciar ao cargo por já ter feito declarações públicas consideradas racistas e homofóbicas. Seu posicionamento seria contrastante com o assunto da comissão.

Na avaliação do cientista político Paulo Kramer, o assunto está mais em voga entre movimentos sociais e cidadãos comuns pela exposição maior no noticiário. Para ele, é interessante tanto para o pastor Feliciano quanto para seus rivais no parlamento, como o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que o embate continue no noticiário, uma vez que ambos estão de olho nas urnas no ano que vem.

"O que eu acho que está em jogo é uma esperteza, que precisa de um monte de bobos", afirma Kramer, acrescentando que "eles não fazem isso inocentemente, não. Há um jogo eleitoreiro por trás".

A temática de direitos humanos era tradicionalmente presidida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mas ao alçar voos mais altos e comandar a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a legenda abriu mão do colegiado, deixando o caminho livre para o Partido Social Cristão (PSC).

Feliciano: anjo desviou avião e Deus 'fulminou' Mamonas

Exemplo clássico de discrepância entre a comissão e a trajetória de seu presidente é a Comissão de Meio Ambiente do Senado, cujo comando é do ruralista Blairo Maggi (PR-MT). Em contraste, outra comissão com mesma temática na Câmara é reduto do Partido Verde (PV), que tem a causa ambiental como bandeira. Outro ruralista à frente da discussão ambiental é o deputado Jerônimo Georgen (PP-RS), que comanda a Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia.

Deu o que falar também a presença de José Genoino (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Ambos foram condenados no processo do mensalão. Frente às críticas petistas para deixar a de direitos humanos, Marco Feliciano chegou a condicionar sua renúncia à saída dos dois do colegiado.

Na visão do cientista político Valdir Pucci, esse contrate "é comum", "o que é novo é a repercussão quando ao pastor Feliciano". "(Os demais parlamentares) estão em posições contraditórias à sua realidade atual, mas são discretas. Não chamam atenção da sociedade", afirmou.

Para ele, o cidadão comum se engaja mais ao caso de Feliciano por ser "a história do momento". "O brasileiro ainda não atentou para todas as questões políticas que ele deveria atentar. Ele surfa na onda do momento da mídia em vez de olhar para o todo o funcionamento do Congresso Nacional", concluiu Pucci.

Fonte: Terra
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade