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Política

Após rito acelerado na Câmara, PEC da Blindagem chega ao Senado para ser derrubada

Com desgaste na Câmara, oposição admite derrota e vê cenário de “terra arrasada” para a PEC da Blindagem na Casa Alta

24 set 2025 - 10h30
(atualizado em 24/9/2025 às 04h59)
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Alessandro Vieira já se posicionou publicamente contra a PEC da Blindagem.
Alessandro Vieira já se posicionou publicamente contra a PEC da Blindagem.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado / Estadão

A PEC da Blindagem, que restringe operações policiais e inquéritos contra congressistas, chega ao Senado em meio a forte repercussão negativa e protestos. O texto foi aprovado a toque de caixa pela Câmara na semana passada, provocando reação imediata nas redes sociais e constrangendo até parlamentares da base, que chegaram a pedir desculpas publicamente por seus votos favoráveis.

A oposição, que tentou emplacar o nome de “PEC das Prerrogativas” para defender a medida, agora admite que o cenário para aprovação é de “terra arrasada”. “Essa aí subiu no telhado. A própria escolha do relator Alessandro Vieira e o tratamento da mídia se encarregam disso”, avaliou um congressista ouvido pelo Terra sob reserva

Relator da proposta na Casa Alta, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) confirmou que apresentará parecer contrário na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira, 24. Em tom duro, ele classificou a PEC como “um erro completo, um desastre” e afirmou que “quem cometeu crime que responda”. Para Vieira, a medida “não se sustenta e será derrubada” pelo Senado.

O senador também apontou dois perfis de deputados que apoiaram a proposta: “os que não entenderam o que estavam votando e os que querem proteger bandido". "Muita gente tem dificuldade intelectual e política para compreender o que estava em jogo”, disse.

A tramitação da PEC, porém, depende de decisão do presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), a quem caberá avaliar se o relatório será pautado de imediato. 

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O relator deve reforçar em seu parecer que não há necessidade de ampliar imunidades para o exercício da atividade parlamentar. Ele lembra que medidas semelhantes, vigentes até 2001, não impediram o funcionamento do Congresso, mas travaram dezenas de pedidos de investigação contra parlamentares.

Na avaliação de Vieira, o texto atual abre espaço para maior infiltração do crime organizado no Legislativo, “com a certeza de que não haverá apuração sobre crimes”.

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O avanço da proposta na Câmara, segundo especialistas, representa a maior ofensiva do Legislativo contra a legislação de combate à corrupção construída desde os anos 1980, após sucessivos escândalos políticos.

Pelo texto, o Judiciário teria de pedir autorização ao Congresso para processar deputados e senadores, em votação secreta — mecanismo que blindaria parlamentares do desgaste público individual.

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Outro ponto polêmico é a ausência de período de transição. Processos já em andamento poderiam ser congelados e os efeitos da medida alcançariam inclusive deputados estaduais. Antes mesmo da votação final na Câmara, senadores já avaliavam que a proposta encontraria grandes dificuldades para prosperar no Senado.

Fonte: Portal Terra
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