Alcolumbre reafirma apoio a Jaques Wagner: 'Não está correta a criminalização da política'
O presidente do Senado afirmou que o País 'está condenando todas as pessoas antes de a investigação ser concluída'
O presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) afirmou nesta terça-feira, 30, que acredita que o senador Jaques Wagner (PT-BA) vai comprovar sua inocência após ter sido alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga as fraudes do Banco Master.
O presidente do Senado afirmou ter tido uma conversa "muito franca" com o senador baiano: "Disse para ele, e repito a vossas excelências: 'Wagner, no que você precisar da sua instituição, eu quero dizer a vossa excelência, como faço com todos os senadores e senadoras, que pode contar integralmente com a minha presença, com a minha manifestação, com a minha defesa e com o meu apoio."
"Estou muito confiante na possibilidade de um senador da República poder, a todo instante, no decorrer do processo, assim como qualquer um que poderia ser vítima aqui, provar sua inocência", declarou Alcolumbre.
Durante a sessão, ele se queixou da falta de presunção de inocência em relação ao caso. "Este país aqui está condenando todas as pessoas antes de a investigação ser concluída e antes de o mérito da investigação ser concluído, dando o processo de ampla defesa e o contraditório para todos os brasileiros", disse.
"A figura pública, o parlamentar, quando sofre uma operação como aquela, que tantos colegas nossos outros sofreram, já está, do ponto de vista da opinião pública, condenada. Isso não é certo nem com um deputado do PT ou um senador do PT, nem com um deputado do PL ou um senador do PL. Não está correta a criminalização da política brasileira, porque eu não sei a quem interessa criminalizar a política brasileira", prosseguiu.
Durante discurso no plenário, Alcolumbre também anunciou que a Advocacia do Senado vai atuar para defender as prerrogativas parlamentares do congressista. Segundo ele, as decisões judiciais decorrentes da operação desestabilizaram a atuação do mandato de Wagner, por incluírem bloqueio de contas e bloqueio de verbas para o exercício do cargo.
O presidente do Senado ainda manifestou apoio à senadora Teresa Leitão (PT-PE), que assumiu a liderança do governo na Casa após a saída de Jaques Wagner do cargo. Alcolumbre elogiou a capacidade de articulação da parlamentar e afirmou que estará à disposição para dialogar sobre as pautas do Executivo.
Jaques Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão em 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquemas de fraude envolvendo o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro.
A investigação da PF aponta que o senador usou o mandato para atuar em ao menos três frentes de interesse do Master: em propostas para tentar ampliar o crédito consignado; em iniciativas relacionadas ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); e no acompanhamento da tentativa de venda do Master ao BRB, medidas que, segundo a PF, eram estratégicas para as fraudes comandadas por Vorcaro.
A PF suspeita que, em troca dessa atuação, Wagner tenha recebido um imóvel em Salvador e pagamentos de propina por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.
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