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Política

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Bolsonaro disse em depoimento que delegado da PF permitiu que ele ficasse com arma em casa

Polícia Civil do DF indiciou militar que estava com arma de Bolsonaro durante blitz de trânsito, mas não viu conduta dolosa do ex-presidente; PF foi procurada para se manifestar

1 jul 2026 - 10h24
(atualizado às 10h26)
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal que um delegado da Polícia Federal permitiu que ele ficasse com uma arma em casa.

A informação consta no relatório final da investigação sobre a apreensão de uma pistola Glock registrada no nome do ex-presidente durante uma blitz de trânsito em Brasília. O militar envolvido na apreensão foi indiciado.

A Polícia Federal foi procurada para se manifestar sobre a declaração de Bolsonaro. O espaço está aberto.

Bolsonaro disse em depoimento que delegado da PF permitiu que ele ficasse com arma em casa
Bolsonaro disse em depoimento que delegado da PF permitiu que ele ficasse com arma em casa
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Segundo o relatório da Polícia Civil do DF, Bolsonaro contou que, quando já se encontrava em prisão domiciliar, foi alvo de um mandado da Polícia Federal. De acordo com o depoimento, as armas da casa foram apreendidas durante o cumprimento da medida, mas o ex-presidente pediu ao delegado que deixasse ao menos uma arma no local, "pois residia com mulheres e necessitava da arma para a defesa da residência". Ainda segundo o relato de Bolsonaro, "o delegado saiu e conversou com alguém ao telefone, tendo lhe devolvido a arma de fogo".

Bolsonaro não disse o momento da ocorrência. O ex-presidente foi alvo de medidas cautelares em julho de 2025, foi para a prisão domiciliar em agosto, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro e teve a prisão preventiva decretada em novembro, três dias antes de começar a cumprir a pena a qual foi condenado.

A Polícia Civil do DF não viu indícios de crime de Bolsonaro pela posse da arma. "É fato notório que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sua residência e a arma de fogo não foi recolhida ou mesmo foi lançada restrição em seu registro", diz o relatório.

Quanto a Estácio Leite da Silva Filho, o militar envolvido na apreensão, a corporação o indiciou por portar uma arma registrada em nome de um terceiro sem autorização do proprietário, "em desacordo com as exigências legais do Estatuto do Desarmamento".

Relembre o caso

Em 15 de junho, Estácio Filho dirigia um veículo oficial da Presidência da República quando foi parado por uma blitz de trânsito em Taguatinga, no norte de Brasília.

Durante a abordagem, o policial notou a presença de uma pistola no carro. Segundo o agente, ao perceber que a arma havia sido notada, Estácio fechou o vidro de forma "repentina". A pistola foi recolhida, e o militar alegou ter porte autorizado como membro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Estácio afirmou que a arma estaria registrada em sua atividade funcional, mas a policial, porém, constatou não haver nenhum registro do equipamento em nome de servidor. O militar, então, admitiu que a pistola pertencia a Jair Bolsonaro. Segundo o segundo-sargento, a arma lhe foi entregue horas antes, com a finalidade de realizar um reparo no percurssor.

O GSI informou que Estácio Filho não integra o quadro de servidores do órgão. O segundo-sargento, na verdade, faz parte de uma equipe de assessores que acompanham o ex-presidente após o mandato presidencial. Esses assessores são treinados pelo GSI, mas não integram o gabinete.

Nos primeiros esclarecimentos prestados a Moraes, a defesa de Bolsonaro admitiu que a arma pertencia a ele, mas informou que o equipamento estava desativado para proteger o ex-presidente. Em depoimento ao relator nesta terça-feira, 23, Bolsonaro reiterou a versão apresentada por seus advogados.

Estadão
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