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Alcolumbre atribui a Onyx influência sobre Roberto Dias

Declaração liga integrante do núcleo próximo do presidente ao personagem central das denúncias de corrupção da CPI da Covid

21 jul 2021 16h40
| atualizado às 17h10
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O Minstro Onyx Lorenzoni durante solenidade no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)
O Minstro Onyx Lorenzoni durante solenidade no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)
Foto: Frederico Brasil / Futura Press

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) sugeriu que foi o ministro Onyx Lorenzoni, hoje na Secretaria Geral da Presidência e ex-chefe da Casa Civil, quem exerceu influência sobre Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, em atividades ligadas à pasta. Dias foi demitido após denúncias de corrupção na compra de vacinas.

"Ele (Dias) já disse que quem indicou ele foi o ex-deputado Lupion (Abelardo Lupion, do DEM-PR), quando trabalhava com o ministro Onyx. Senti falta de vocês falarem que ele trabalhava com o ministro Onyx. E não sei por quê. Só colocaram na conta de um ex-deputado", disse ao Estadão.

A declaração liga um integrante do núcleo duro do presidente Jair Bolsonaro ao personagem que está no centro das principais denúncias de corrupção no Ministério da Saúde sob apuração da CPI da Covid.

Lupion trabalhou na gestão Mandetta. Antes, exerceu cargos de assessoria especial e de secretário na Casa Civil, quando a pasta era chefiada por Onyx Lorenzoni, de quem é bastante próximo. O ex-deputado Lupion tem se dedicado às propriedades rurais no Paraná.

Reforma ministerial

Bolsonaro prepara mudanças ministeriais para acomodar mais lideranças do Centrão. O presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), deve ir para a Casa Civil, em substituição a Luiz Eduardo Ramos. Ramos, por sua vez, pode ser transferido para a Secretaria-Geral. À Onyx restaria a transferência para o Ministério do Trabalho, que seria recriado para recebê-lo. Nos bastidores, o nome de Alcolumbre também é ventilado como possível substituto de Onyx.

Apoiado pelo Centrão, Roberto Dias foi nomeado no início do governo Bolsonaro, ainda com o então ministro Luiz Henrique Mandetta. Ele foi uma indicação do ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), mas com o aval de Ricardo Barros (Progressistas-PP), líder do governo na Câmara.

Lupion e Dias trabalharam no governo de Cida Borghetti, no Paraná, esposa de Barros. Apesar da ligação com políticos do Paraná, militares e congressistas afirmam reservadamente que Davi Alcolumbre era um dos maiores fiadores da permanência de Roberto Dias no cargo.

O ex-diretor sobreviveu a quatro ministros e só caiu após o surgimento das denúncias. O ex-ministro Eduardo Pazuello chegou a pedir a demissão de Roberto Dias em outubro passado, mas Alcolumbre interveio junto a Bolsonaro para que a demissão não se concretizasse. A informação foi publicada pela Rádio CBN.

Ex-presidente do Senado, Alcolumbre afirmou que não se movimentou para defender Roberto Dias. "Fiz um movimento para ele ajudar todos os governadores, pedindo para eles respiradores, álcool em gel, máscara. Fiz para todos, para os 81 (senadores) que me pediram para salvar a vida das pessoas", frisou.

Roberto Dias é alvo de denúncias relacionadas ao contrato da Covaxin e às negociações com a empresa Davati, que se apresentou como intermediária da vacina AstraZeneca. No Brasil, a farmacêutica só tem parceria com a Fiocruz.

Ao prestar depoimento à CPI da Covid, o ex-diretor acabou preso em flagrante porque, segundo os senadores, cometeu crime de perjúrio por ter mentido ao responder perguntas. Alcolumbre agiu pessoalmente para pedir que o presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM), recuasse.

O servidor do ministério Luis Ricardo Miranda e o irmão dele, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), afirmam que Dias foi um dos membros do ministério que exerceram pressão para que fosse agilizado o processo de importação da Covaxin.

Já o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da Davati, afirma que Roberto Dias pediu propina de US$ 1 sobre cada uma das 400 milhões de doses que a empresa queria vender ao ministério.

Estadão
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