Defesa de Bolsonaro pede a Moraes autorização para visita de Tarcísio
O ministro do STF autorizou nesta segunda-feira, 19, o acompanhamento do médico particular do ex-presidente, mas ainda não decidiu sobre o pedido de visita do governador de São Paulo
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), realize visita ao ex-mandatário durante o cumprimento da pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha", em Brasília. O pedido foi apresentado nesta segunda-feira, 19.
Em decisão publicada nesta segunda, Moraes autorizou que o médico particular de Bolsonaro, Dr. Cláudio Birolini, acompanhe a junta médica à qual o ex-presidente será submetido. O magistrado ainda não se manifestou sobre o pedido de visita do governador.
Bolsonaro foi transferido na última quinta-feira, 15, para a Papudinha, por determinação de Moraes. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado.
No requerimento, os advogados também pedem autorização para a visita de Diego Torres Dourado, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Como mostrou o Estadão, Moraes já autorizou outro cunhado do ex-presidente a realizar entregas de refeições na unidade prisional.
Desde 2023, Diego atuava como assessor especial do governador de São Paulo e era considerado um dos auxiliares mais próximos de Tarcísio. Ele era responsável pela interlocução com a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e também funcionava como ponte entre o governador e a família Bolsonaro.
O assessor deixou o governo estadual em novembro, a pedido próprio. Conforme revelou o Estadão, ele deve atuar na estruturação da campanha de Tarcísio.
À época, ainda não estava definido se o governador disputaria a reeleição em São Paulo ou concorreria à Presidência da República. Na semana passada, porém, Tarcísio reafirmou que apoiará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. O filho do ex-presidente anunciou a pré-candidatura no início de dezembro e afirmou que tomou a decisão a pedido do pai.
O posicionamento ocorre em meio a discussões nas redes sociais entre lideranças da direita. Na semana passada, apoiadores do ex-presidente criticaram declaração da esposa de Tarcísio, que afirmou que o Brasil precisava de um "novo CEO", em referência ao governador. Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro buscou apaziguar a disputa e defendeu a união da direita contra o Partido dos Trabalhadores (PT), que deve lançar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
A defesa também solicita autorização para que o assessor de Bolsonaro Bruno Scheid possa visitá-lo. Vice-presidente do Partido Liberal (PL) em Rondônia, Scheid teve um pedido anterior de visitas contínuas negado por Moraes, em setembro do ano passado.
Como mostrou o Estadão, Scheid foi um dos líderes do grupo do agronegócio que tentou impulsionar a campanha à reeleição de Jair Bolsonaro, inclusive por meio de doações.