Traficantes milionários de armas e drogas são presos no Paraguai
A caçada de quase três anos a um dos maiores abastecedores de armas e drogas das favelas cariocas terminou na madrugada de sábado, na boate mais chique de Ciudad del Este, no Paraguai. Uma inédita ação conjunta da Polícia Civil do Rio de Janeiro com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do país vizinho prendeu Ricardo dos Santos Silva, o Tubarão, 34 anos, e seu principal sócio, Anderson Bonfim Alencar, o Cabeça ou Leco, 30 anos. Ambos viviam em mansões do outro lado da fronteira, fruto dos lucros milionários provenientes do despejo de cocaína, maconha e fuzis que aterrorizam o Rio de Janeiro. nesse domingo, eles desembarcaram no Aeroporto Tom Jobim e nesta segunda-feira serão apresentados oficialmente.
A informação obtida pela Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) de que a dupla estaria escondida num condomínio de luxo chamado Country Club Paraná, já em terreno paraguaio, passou a ser rastreada no dia 27.
Com campo de golfe, estande de tiro, pista de corrida, seguranças armados com escopetas e até um hotel cinco estrelas, o local é endereço de artistas, empresários e milionários do país. Entre os moradores do condomínio está a família do general Alfredo Stroessner, já morto, que governou o Paraguai entre 1958 e 1989.
Quatro agentes viajaram para Foz do Iguaçu, onde receberam o apoio logístico da Delegacia de Narcóticos do Paraná (Denarc). O passo seguinte foi atravessar a fronteira. O contato, então, foi entre os governos dos Estados.
O próprio secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e o subchefe operacional da Polícia Civil, Carlos Oliveira, fizeram a intermediação para que a Senad desse suporte à ação. A partir daí, houve uma reunião, que contou com a presença da promotora de Justiça Adelaida Vazquez, que trabalha exclusivamente com a Senad.
Perseguindo um dos seis carros dos quais tinham informações, os agentes encontraram o Golf próximo à boate Coyote, localizada na avenida Del Lago,no bairro Boqueron.
Entre um drinque e uma dança, dois policiais cariocas se aproximaram da mesa onde um dos alvos, Anderson Cabeça, estava. Imediatamente depois, apareceu Tubarão. A ordem da promotora, então, era para que a prisão só ocorresse fora da discoteca, para evitar tumulto. Mas a rede de influência local fez com que Tubarão recebesse um recado da presença de policiais no recinto.
O traficante, então, saiu discretamente, mas foi surpreendido. Do lado de dentro, Cabeça também recebeu voz de prisão. A partir daí, um juiz local fez, junto com os policiais, a busca e apreensão nas casas dos bandidos, onde foram encontradas duas pistolas, munição e drogas.
Após as buscas, a Senad levou os dois presos até a Ponte da Amizade, na fronteira com Foz do Iguaçu, de onde começou a escolta feita pelo Denarc. Mas a investigação em cima de Tubarão e Anderson Cabeça - que forneciam mais de 100 kg de cocaína por mês, além de armas e munições para favelas como Jacarezinho, Manguinhos, Furquim Mendes, Dique, além dos complexos do Alemão e da Penha - começou em março de 2007, quando a Drae descobriu sua casa na Grota. Na ação foram apreendidas mais de 30 mil cápsulas, duas metralhadoras ponto 30, quatro fuzis e duas pistolas.
Vivendo no Paraguai desde o Carnaval, Tubarão levava vida de sheik. Tanto que ofereceu aos policiais US$ 1 milhão para não ser preso. Mas o reinado acabou. Seu habitat, agora, será no Bangu 1.