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SP: jovem baleado durante protesto contra a Copa recebe alta da UTI

30 jan 2014 16h20
| atualizado às 16h23
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<p>Durante protesto manifestantes causaram destruição na área central de São Paulo</p>
Durante protesto manifestantes causaram destruição na área central de São Paulo
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

O jovem de 22 anos baleado durante o protesto contra a Copa do Mundo no último sábado na área central de São Paulo recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta quinta-feira. De acordo com o boletim médico divulgado pela Santa Casa, Fabrício Proteus vem evoluindo satisfatoriamente e está sob cuidados médicos em leito de enfermaria.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), o rapaz foi atingido ao resistir à prisão e tentar esfaquear um policial militar. O manifestante estava acompanhado de outro homem, de 25 anos, quando foram abordados por uma equipe em patrulhamento na rua da Consolação. O mais novo tentou fugir e foi contido. Segundo a SSP, em sua mochila foram encontrados artefatos explosivos feitos em lata de cerveja.

Durante a abordagem, o suspeito fugiu e teria tentado usar um estilete contra os policiais. Conforme a SSP, na rua Sabará, o rapaz investiu contra um dos PMs que havia perdido o equilíbrio no desnível da calçada. Nesse momento, os policiais atiraram e o jovem caiu no chão. Porém, se levantou e tentou fugir novamente, parando logo depois.

Ferido no ombro direito e na parte interna da coxa esquerda, o rapaz foi conduzido ao Pronto-Socorro da Santa Casa de São Paulo, onde foi operado e permanece internado. Um dos policiais sofreu uma torção no braço ao ser contido pelo manifestante e também precisou ser socorrido ao pronto-socorro.

O caso é investigado pelo 4º DP e acompanhado pelas corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil.O protesto terminou com 135 pessoas - 123 eram adultos e 12 adolescentes -detidas. Três agências bancárias e uma viatura da Guarda Civil Metropolitana foram destruídos e um Fusca incendiado. 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido. 

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus. A mobilização surtiu efeito e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas – o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritiba,SalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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