SP: após morte, perícia prioriza atrações radicais no Hopi Hari
- Rose Mary de Souza
- Direto de Campinas
Os brinquedos radicais do parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo, estão no foco da fiscalização que começou nesta segunda-feira e prossegue até o próximo domingo. Nesse período, o local ficará fechado ao público. A intenção dos técnicos é avaliar o grau de segurança nas 14 atrações que colocam o visitante frente a algum tipo de situação de risco, em equipamentos que chegam a grande velocidade e altura perigosa.
Estão na lista montanha-russa, roda-gigante, Vurang, Ekatomb, Vula Viking, Leva i Traz, Lokolore, Evolution, Rio Bravo, Crazy Wagon, West River, Trakitanas, as duas salas do Simulakron, Giranda di Musik e as duas torres do Dispenkito.
A inspeção foi firmada por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a direção do Hopi Hari e o Ministério Público Estadual de Vinhedo no dia 1º, uma semana depois da morte da adolescente Gabriela Nichimura, 14 anos, que caiu da atração Torre Eiffel. Segundo as apurações iniciais, a queda foi provocada pela falta de uma trava na cadeira. O assento estaria inoperante há mais de uma década, mas foi ocupado pela garota. A Torre Eiffel é um elevador que despenca a 94 km/h de uma altura de 70 m.
De acordo com o TAC, a Torre Eiffel está interditada por tempo indeterminado. Participam da vistoria em todo o parque o Ministério Público, a Polícia Civil, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e o Corpo de Bombeiros. O grupo vai analisar desde manuais, dados de manutenção e registros de autorização para operação até ocorrências de acidentes ou falhas com usuários e operadores.
Procon exige devolução de valores de ingressos
O Procon de Campinas notificou nesta segunda-feira o Hopi Hari, em decorrência da suspensão da prestação de serviço por 10 dias e prováveis outros 10, sobre os possíveis pedidos de devolução de valores, substituição dos ingressos ou prorrogação do prazo de validade por parte dos consumidores.
De acordo com a diretora do Procon, Viviane Belmont, o direito à informação, à saúde e à segurança garantem que o consumidor tem direito à devolução de valores pagos ou de eventual prorrogação da validade do ingresso, conforme a sua opção. Segundo Viviane, em nenhum momento a empresa se manifestou sobre o direito do consumidor em ter os valores dos ingressos devolvidos.
"Por essa razão, instauramos o Ato de Ofício visando à proteção dos consumidores residentes em Campinas, baseados no direito à informação e à possibilidade de devolução de valores pagos ou de eventual prorrogação da validade do ingresso, conforme opção do consumidor", explica Viviane.
Pelo documento, o Hopi Hari deve interromper a venda dos ingressos em todos os pontos de venda de Campinas enquanto estiver suspensa a atividade no parque pelo acordo do TAC, sob pena de R$ 23.490 por cada infração, mesma quantia que deverá pagar se não veicular, em orgãos de imprensa da cidade, o período de suspensão e a forma de restituição dos valores. A multa será de R$ 469,80 para cada registro no Procon informando que o parque não restituiu o valor integral do ingresso comprado, com devolução proporcional dos valores das entradas weekend e anuali para cada ocorrência reclamada.
O Hopi Hari deve encaminhar ao Procon a lista de todos os pontos de vendas de Campinas. Caso seja lavrado qualquer tópico de infração, o parque terá 10 dias úteis para apresentar defesa.