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Polícia

RJ: traficantes usam taxista para escapar da Penha

9 dez 2010 - 02h10
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Enquanto a polícia continuava o combate ao tráfico no Complexo do Alemão no domingo, bandidos do vizinho Morro da Caixa D'Água, no Complexo da Penha, fugiram do cerco usando um taxista como refém. Durante quatro horas, J., de 34 anos, foi obrigado a transportar em seu carro criminosos armados até o Morro do Chapadão, na Pavuna, também na Zona Norte. As favelas da Penha foram o primeiro alvo da polícia na guerra contra o tráfico naquela região, quando muitos criminosos buscaram refúgio no Complexo do Alemão.

A vítima contou que foi abordada na Avenida Brás de Pina, por volta das 2h30, por um homem vestido de gari. "Ele pediu ajuda para socorrer a mãe, que estaria passando mal. Quando cheguei ao local, havia vários homens armados, que me mandaram 'seguir tranquilo' porque não tinham nada a perder. Entrei em pânico", lembrou J.

O taxista relatou que fez pelo menos cinco viagens até o Chapadão para levar o bando. No trajeto, os criminosos falavam em códigos. "Eles usavam gírias e iniciais para eu não entender. Recebiam ordens de homem pelo rádio, que me dizia para não chamar a atenção, não correr e nem bater com o carro".

Na altura do viaduto de Acari, J. cruzou com uma patrulha da PM e chegou a piscar o farol, mas os policiais não perceberam o sinal. "Os bandidos viram e me bateram na cabeça. Quebraram o retrovisor, o GPS e o taxímetro, e roubaram meu dinheiro. Depois, desapareceram na Avenida Brasil", disse o taxista, que registrou o caso na 22ª DP (Penha). "Agradeci a Deus pela vida. Por pouco, não passaria o Natal com a minha família".

Ocupação ainda incompleta

A PM informou que nem todas as favelas da Penha estão com ocupação permanente, já que boa parte do efetivo teve que ser empregada na megaoperação no Alemão. "Mas estamos com todo o efetivo do 16º BPM (Olaria) e algumas unidades em reforço fazendo operações pontuais na Penha. Todas as informações que recebemos estão sendo checadas, e o patrulhamento é normal", explicou o relações públicas da PM, coronel Lima Castro.

A Polícia Civil investiga a fuga. "É um trabalho difícil, já que a vítima não conseguiu descrever os criminosos", disse a delegada Márcia Beck, da 22ª DP. "Recebi um telefonema do 16º BPM, e até me pediram desculpas por a patrulha não ter visto o meu sinal", contou o taxista, que voltou ao trabalho ontem.

Na quarta-feira de manhã, cerca de 20 soldados da Brigada de Infantaria Paraquedista, auxiliados por policiais do Bope, conheceram os principais pontos da Vila Cruzeiro e dos morros da Chatuba, Fé e Sereno, todos no Complexo da Penha.

Violência no Rio

O Complexo do Alemão está ocupado pelas forças de segurança desde o dia 28 de novembro. A tomada do local aconteceu praticamente sem resistência numa ação conjunta da Polícia Militar, Civil, Federal e Forças Armadas. A polícia investiga uma possível fuga de traficantes pela tubulação de esgoto do Alemão antes dos policiais subirem o morro. Na quinta, 25 de novembro, a polícia assumiu o comando da Vila Cruzeiro, na Penha. Ambos dominados, até então, pela facção criminosa Comando Vermelho. As ações foram uma resposta do Estado a uma série de ataques, que começou na tarde do dia 21 de novembro. Em uma semana, pelo menos 39 pessoas morreram e mais de 180 veículos foram incendiados por criminosos nas ruas do Rio de Janeiro.

Antes da noite cair, duas mulheres carregavam um bolo de dois andares, pois o aniversário de 15 anos não pode ser adiado
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Foto: Reinaldo Marques / Terra
Fonte: O Dia
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