Rio: planilha mostra "folha salarial" do bando de traficante
Uma planilha de pagamentos, apreendida na mochila usada por Roupinol, revela o poderio da quadrilha. O documento é recente, de 15 de março, e mostra que o Complexo de São Carlos tornou-se uma "empresa" que gerava um custo de R$ 51 mil semanais e "empregava" pelo menos 324 pessoas. A lista detalha valores pagos a cada um dos envolvidos com o tráfico. Somente no Morro do Querosene, há 57 homens ganhando R$ 120 cada e seis "chefes de plantão" recebendo R$ 300.
O documento é dividido por região. Além do Querosene, há outras localidades como Bairro, QG, Brinquedo, Zinco e pontos especiais conhecidos como Bagdá e Iraque. O número de seguranças salta aos olhos: 56."A folha salarial, o número de 'trabalhadores' e faturamento são iguais aos de uma empresa de médio porte. Com a diferença de que a arrecadação será maior que a de comércio legal, que paga encargos. Se compararmos somente o salário, é 20% maior do que é pago para um trabalhador com carteira assinada", afirma o economista Gilberto Braga.
Roupinol plantou sua base no Rio há três anos após dar apoio logístico para que a facção ADA tomasse do Comando Vermelho os pontos de venda de drogas do Morro da Mineira. Uma guerra provocou mortes e levou pânico à região.
Logo depois de se estabelecer na região, seu principal aliado, Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, foi sequestrado por supostos policiais, num apartamento no Estácio. Os R$ 2 milhões pagos por sua liberdade teriam sido custeados por Roupinol. Até hoje, não há inquérito instaurado para investigar o caso. Mas a partir deste episódio, Roupinol passou a ter poder de decisão na quadrilha. A Mineira virou um dos pontos mais bem armados do complexo. Segundo a "folha salarial", somente ali há 105 "funcionários".
No item pagamentos diversos, dois chefes de plantão são os que recebem mais. Um conhecido como Ada, e outro como Empada, que vem a ser Leonardo Miranda da Silva. Ambos faturavam R$ 1,5 mil por plantão. Outro nome conhecido da polícia, Dorey ganhava R$ 500. E um bandido identificado como Black recebia outros R$ 1 mil.