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Polícia

Rio: ex-delegado preso diz que Operação Guilhotina é racista

28 mar 2011 - 17h53
(atualizado às 23h02)
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Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

O ex-delegado de Polícia Civil Carlos Oliveira, preso durante a Operação Guilhotina, deflagrada pela Polícia Federal (PF), disse estar sendo vítima de uma investigação "racista e direcionada" em depoimento para a comissão parlamentar de inquérito (CPI) das Armas, ocorrido na tarde desta segunda-feira. Oliveira alegou que foi preso no dia em que estava marcado um depoimento seu no Ministério Público Federal (MPF). No depoimento, ele falaria sobre a falta de ação da superintendência da PF para investigar a ineficiência no combate ao tráfico de armas.

De acordo com o ex-delegado, a operação foi arbitrária. "Nenhum direito meu foi respeitado. Nenhum sequer. Me encontro para fazer um lanche com uma delegada e estou reclamando da situação política. Esse absurdo, essa injustiça que estão fazendo comigo e com a minha família. Essa investigação é racista e direcionada", disse ele sobre as escutas que o ligam a grupos que atuariam com os chamados "espólios de guerra", prática que envolveria policiais que se apoderariam de armamento e drogas apreendidos para depois revender a criminosos.

Oliveira preferiu não dizer qual ou quais grupos políticos estariam interessados em sua prisão. "Agradeço à pergunta do deputado Luiz Paulo (PSDB). Mas fui orientado pelo meu advogado a responder ela apenas em juízo", afirmou.

O ex-delegado iniciou seu depoimento agradecendo à oportunidade de se expressar. "Parece que estou vivendo uma situação surreal. Estou encarando como mais uma grande batalha que tenho que vencer. Estou na polícia há 25 anos", classificou. Oliveira começou sua carreira como soldado da Polícia Militar (PM) e passou no concurso para detetive da Polícia Civil. Foi detetive por 10 anos e passou para delegado. Além de ter sido subchefe operacional da Polícia Civil durante a gestão de Allan Turnowski, Oliveira chefiou a Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos.

O presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (Psol), considerou o depoimento de Oliveira evasivo. De acordo com Freixo, o depoente deixou de citar o armamento de milícias, minimizou a entrada de armas através da Baía de Guanabara e também em relação ao controle dos armamentos apreendidos pela polícia. "O ex-delegado está perdendo uma grande oportunidade de expor o que sabe", afirmou o deputado em relação à negativa de Oliveira em dizer quem estaria interessado na sua prisão.

Deputados acreditam na inocência de Oliveira

A não ser Freixo, todos os demais deputados, Zaqueu Teixeira (PT), Luiz Paulo (PSDB), Flávio Bolsonaro (PP), Wagner Montes (PDT), declararam acreditar na inocência de Oliveira. "Revendo os autos não consegui achar prova de materialidade das acusações contra você", declarou Zaqueu. "Vou para casa, a não ser que apareçam outras provas, achando que o senhor está sendo injustiçado". "É comum nós, pessoas públicas, as pessoas confundirem a conivência com a convivência", afirmou Montes. Freixo preferiu não emitir juízo de valor sobre as acusações.

Ao final da sessão, os deputados não entraram em acordo sobre a proposta de quebra de sigilo bancário e fiscal dos suspeitos de envolvimento com tráfico de armas da Operação Guilhotina. O ex-superintendente da Polícia Federal no Rio, Ângelo Gioia, e o procurador da República Fábio Seghese serão chamados a depor. Os deputados também não entraram em acordo sobre a convocação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozom, e do secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.

Fonte: Especial para Terra
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