Professor de Geisy diz ter sido atingido por chute em tumulto
- Thais Sabino
- Direto de São Paulo
O professor Rubens Fernando Romero Soares, que presenciou o tumulto envolvendo a estudante Geisy Arruda na Universidade dos Bandeirantes (Uniban), em outubro de 2009, afirmou nesta quinta-feira que foi agredido com chutes dentro da sala de aula da instituição, segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Soares foi a quarta pessoa a prestar depoimento em audiência no Fórum de São Bernardo do Campo (SP), que já durava quase quatro horas por volta das 13h30.
No dia 22 de outubro de 2009, a ex-aluna do curso de Turismo na Uniban foi hostilizada por colegas ao usar um vestido curto durante o período de aulas. As cenas foram gravadas por telefones celulares e disponibilizadas em sites na internet. Ela pede à universidade R$ 1 milhão de indenização por danos morais.
De acordo com o depoimento do professor, o tumulto teve início por volta das 21h20, durante o intervalo das aulas. Soares afirmou que, ao perceber a movimentação de pessoas, pediu três vezes à aluna para que entrasse na sala de aula. Após Geisy atender ao pedido, o professor fechou a porta da sala, enquanto "dezenas de pessoas" gritavam, do corredor, para que ele "liberasse a loira". O grupo teria chutado a porta. Um dos golpes teria atingido o joelho do professor, além da maçaneta da porta, que foi arremessada com o impacto.
A sessão que vai decidir se a Uniban deve ou não pagar indenização por danos morais no valor de R$ 1 milhão escutou, na parte da manhã, o testemunho de Geisy. Ela falou por cerca de uma hora e foi questionada pela defesa sobre os detalhes do ocorrido. De acordo com o TJ-SP, outro ponto abordado foram as declarações dadas por Geisy de que o episódio teria proporcionado vivências que ela jamais poderia ter antes disso.
Em seguida, foi ouvida a estudante Paola Fernandes, amiga de Geisy, que segundo o TJ-SP estava com ela no banheiro durante o tumulto.
Na parte da tarde, o ex-segurança da universidade Eduardo Giaion foi ouvido. Ele disse ter visto um grupo ofendendo Geisy e, posteriormente, a aluna sair escoltada pela polícia.
O advogado de Geisy, Nehemias Domingos de Melo, afirmou que a fixação do valor da indenização em R$ 1 milhão se deve à repercussão nacional, e também internacional, do caso, mas que eles estão abertos à negociação. Até as 13h30, a Uniban ainda não havia apresentado qualquer proposta de valor para um possível acordo. O juiz Rodrigo Gorga Campos, que conduz a sessão, não permitiu a entrada do público para assistir à audiência.
A sentença final do caso será definida daqui a pelo menos três meses. Pelo processo, ainda há mais duas audiências a serem realizadas, de acordo com o TJ-SP.