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Polícia

'Piloto' que arrastou João Hélio estaria envolvido em extorsão

25 jul 2009 - 02h54
(atualizado às 08h22)
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Em fevereiro de 2007, Diego Nascimento da Silva chocou o País durante um assalto. Era ele o motorista do Corsa roubado no qual o menino João Hélio Fernandes, 6 anos, ficou preso pelo cinto de segurança e acabou arrastado por 6 km, em Oswaldo Cruz. Mesmo com a condenação a 44 anos e três meses de prisão, os muros do Complexo de Gericinó não impediram que ele continuasse a praticar delitos. Há pelo menos dois meses, ele e outros detentos vinham aplicando golpes por telefone, ou "disque-extorsão", simulando o sequestro de parentes para tirar dinheiro de famílias.

O esquema, que faz vítimas em todo o País, não é novo, mas durante 60 dias ele foi monitorado por agentes da 15ª Delegacia de Polícia (DP) do RJ, que conseguiram impedir o pagamento de nove extorsões, uma delas em Curitiba, no Paraná.

Diego ganhou, na cadeia, o apelido de Piloto, justamente por ter sido ele o motorista que arrastou João Hélio. Na época, uma testemunha contou sobre a frieza do assassino, que ironizou o momento em que a criança estava pendurada do lado de fora do carro: "Não é criança, não. Isso é um Judas que a gente está carregando", teria dito.

Isso está relatado no inquérito que originou o processo 2009.001.069347-2 e na decretação de cinco mandados de prisão. Três deles foram cumpridos dentro da unidade Alfredo Tanjan (Bangu 2), ontem, quando a Polícia Civil deflagrou a "Operação Tablado" (alusão à escola de teatro, por causa da simulação do drama).

As ligações telefônicas interceptadas mostram que o grupo encenava a todo instante. Gabriele Couto Calheiro e Georgia Silveira, mulheres de dois presos, responsáveis por receber os pagamentos, estão foragidas. "Os bandidos induzem as pessoas a dar informações sobre parentes e outros dados pessoais. Como num teatro. As pessoas que receberem esses telefonemas devem procurar a polícia e, em hipótese alguma, sair para entregar nada a eles. Aí sim, podem se tornar vítimas de um sequestro", explicou a delegada Bárbara Lomba Bueno, que coordenou as investigações.

Mil telefonemas por dia

Entre maio e junho, a 15ª DP evitou que a quadrilha recebesse o pagamento do falso sequestro nove vezes. Eram cerca de 1.000 ligações diárias. Além de Diego, outros dois detentos participavam do golpe: Wellington Ramos Monteiro, 30 anos, e Josimar Rita de Souza, de 26. Eles agiam mesmo com os bloqueadores de celular instalados em Bangu 2.

Ontem, a polícia apreendeu quatro chips, maconha e uma antena feita com fio de cobre e papel laminado, usado para embrulhar. As gravações mostram o desespero das vítimas, inclusive de uma senhora que passou tão mal que a quadrilha simulou a libertação da vítima.

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