Grupo armado invade Polinter e liberta 28 presos no Rio
A invasão a uma carceragem da Polícia Civil na manhã deste domingo resultou na fuga de 28 presos na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo a polícia, um grupo de seis homens armados com fuzis e vestidos como policiais civis chegaram à Polinter (departamento responsável por captura e custódia de presos) do Grajaú às 10h, supostamente levando levando um preso.
Na hora, apenas dois agentes da Polícia Civil faziam a guarda dos cerca de 150 presos na carceragem. O grupo armado mostrou um ofício falso, junto ao suposto preso, que estava algemado, e entrou no prédio. Em seguida, eles renderam os agentes e dirigiram-se às celas. Com uma alicate, abriram os cadeados de cinco celas e libertaram 30 presos.
Dois dos detentos chegaram a sair das celas com o grupo de fugitivos, mas depois desistiram e ficaram no próprio prédio da Polinter. Outros três foragidos foram capturados logo em seguida, nas proximidades. A polícia já está montando operações para recapturar os 25 fugitivos, que são de comunidades como Mangueira e Jacarezinho.
Segundo o coordenador de Controle de Presos da Polinter, Orlando Zaccone, a ação dos criminosos mostra uma falha no sistema de recebimento de presos pelas carceragens e disse que é preciso repensar os mecanismos de segurança.
"O que estamos repensando agora é que vamos ter que criar mecanismos de segurança, principalmente nas nossas carceragens, para tentar evitar outras ações desse tipo. O que ficou hoje provado é que, pelo menos em relação a isso, nossa segurança não funcionou. A intenção agora é a gente pensar novos procedimentos, onde mesmo que uma pessoa se apresente na carceragem vestida com uniforme da polícia, mesmo trazendo uma pessoa algemada e documentos em mãos, tudo isso não vai ser autorizativo para ingresso desses policiais, de verdade ou não, nas unidades", disse.
Segundo Zaccone, é possível que os criminosos quisessem libertar um preso específico, mas ainda não se sabe quem.
Capturas
Até o final da tarde deste domingo, três presos haviam sido recapturados pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que fez ronda nos arredores da Polinter em busca de outros foragidos. Um deles foi encontrado em um ônibus na Rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel. Dois ainda estavam nas redondezas e outros dois retornaram espontaneamente.
Os fugitivos foram ouvidos por Zaccone, que não descartou a possibilidade de envolvimento de policiais, já que "a ação foi muito bem coordenada". De acordo com ele, a libertação dos presos mostra deficiência no sistema de carceragens.
Ainda segundo Zaccone, é possível que os criminosos quisessem libertar um preso específico, mas ainda não se sabe quem. A ação durou menos de 20 minutos, segundo ele. A polícia já identificou os 25 presos que ainda estão foragidos.
O Coordenador de Controle de Presos da Polinter ainda afirmou que vai abrir uma sindicância para avaliar o envolvimento dos policiais que estavam de plantão de manhã.
"Haverá um processo criminal na delegacia e um procedimento na corregedoria para apurar se há policiais envolvidos. Não descarto a possibilidade de informações terem chegado por policiais. Isso não é novidade, acontece em sistemas com mais segurança do que o nosso", disse.
Zaccone disse também que a maioria dos presos libertados é de comunidades como Mangueira e Jacarezinho e tem ligações com quadrilhas de tráfico de drogas.
Os presos recapturados e os dois plantonistas prestaram depoimento na 18ª DP (Praça da Bandeira), a central de flagrantes. Os bandidos levaram uma arma calibre 40 de um dos agentes.
Com informações da Agência Brasil e JB Online