Filho do bicheiro Rogério Andrade é enterrado no Rio
Diogo Andrade, 17 anos, filho do contraventor Rogério Andrade, foi enterrado na tarde desta sexta-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio. O carro em que pai e filho estavam explodiu na última quinta-feira, na avenida das Américas, esquina com rua Baltazar da Silveira, no Recreio dos Bandeirantes.
O velório na Capela 3 do cemitério foi bastante reservado, com a presença apenas de familiares e amigos. As aportas da capela ficaram a maior parte do tempo fechadas. Um segurança ficou o tempo todo na porta controlando a entrada.
De acordo com a assessoria do Hospital Barra D'Or, o bicheiro Rogério Andrade está clinicamente estável na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo o boletim, o paciente evolui bem ao procedimento cirúrgico da face a que foi submetido na noite de quinta. A alta não acontecerá antes de quarenta e oito horas.
Rogério está em liberdade condicional desde o ano passado. Seu maior rival, Fernando Iggnácio, é apontado como principal suspeito do ataque e será chamado a depor na Divisão de Homicídios (DH). O temor das autoridades de segurança pública é de que o crime reascenda a guerra pelo controle das máquinas caça-níqueis na zona oeste.
O caso
Rogério e Diogo haviam acabado sair de uma academia de ginástica e estavam supostamente escoltados por dois carros com PMs que fariam sua segurança particular.
Segundo peritos, o impacto da explosão foi tão forte que arrancou o teto do veículo, arremessou o para-brisa a cerca de 70 m, incendiou parte de um Vectra - onde estavam os seguranças - e atingiu um Peugeot. Outro Vectra, com mais três PMs da escolta, foi abandonado a 150 metros do local.
A polícia investiga se o explosivo foi colocado dentro do carro e acionado à distância ou se o artefato seria uma espécie de bomba-relógio. Outra hipótese é de que as vítimas estariam manuseando uma granada no veículo.
Há informações de que, após sofrer um atentado, Rogério teria passado a circular portando granadas. Policiais não descartam ainda a hipótese de uma bomba ter sido jogada contra o carro. No entanto, a possibilidade de uma granada ter causado tanto estrago é mais remota, uma vez que foram colhidos poucos fragmentos.
Os cinco policiais prestaram depoimento na DH, de onde saíram presos por 72 horas pela Corregedoria da PM. A 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar fará investigação paralela à Polícia Civil. "Queremos saber o que faziam no local naquela hora", disse o corregedor, coronel Ronaldo Menezes.
Diogo dirigia o Corolla e Rogério estaria no banco do carona. Ferido no rosto, o bicheiro foi operado no Hospital Barra D'Or. Um entregador que passava na hora escapou com ferimentos leves, mas sua moto ficou destruída. Câmeras da CET-Rio não filmaram o ataque porque estão quebradas. O trecho onde houve a explosão ficou fechado por quatro horas.
Laços estreitos
Para o advogado de Rogério Andrade, Luiz Carlos da Silva Neto, seu cliente foi vítima de um atentado. "Não tenho a menor dúvida disso", afirmou. Segundo ele, Diogo era muito ligado ao pai. Por conta dessa relação próxima, Rogério havia conseguido na Justiça há um mês o direito pela guarda do filho.
Na quinta, a família do contraventor ainda não tinha contado a ele que o filho havia morrido. Apesar disso, nos momentos de consciência, Rogério dizia saber que Diogo estava morto.