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Polícia

Ex-chefe do tráfico teria participado conflitos recentes no Rio

18 ago 2009 - 03h10
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Responsável pela primeira grande guerra entre traficantes na Zona Sul, no fim dos anos 80, Zacarias Gonçalves Rosa Neto, o Zaca, de 58 anos, foi preso na noite de sábado por policiais da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). Contra o bandido havia seis mandados de prisão por tráfico, roubo, formação de quadrilha e uso de documentos falsos.

Atualmente vivendo na Rocinha, em São Conrado, ele é suspeito de ter participado das duas últimas grandes guerras que aterrorizaram a região: a tentativa de invasão à Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, em março, e a disputa pelo controle das bocas de fumo dos morros Chapéu Mangueira e Babilônia, no Leme, em abril do ano passado.

Após cumprir 15 anos e 7 meses de prisão, Zaca ganhou o benefício do cumprimento em regime semiaberto e, em 20 de fevereiro de 2006 saiu da cadeia e não voltou mais. O bandido ainda tem 23 anos e cinco meses de pena a cumprir.

Segundo o subchefe operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Oliveira, Zaca seria uma espécie de consultor de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico da Rocinha. "Ele foi um dos maiores traficantes dos anos 80 e um por uma guerra que apavorou a zona sul. Há cerca de um ano e meio ele vivia na Rocinha e passava sua experiência e conhecimento estratégico sobre os terrenos das favelas a integrantes da quadrilha do Nem. Temos informes de que ele participou de guerras mais recentes, como a tentativa de invasão à Ladeira dos Tabajaras e ao Leme¿, disse Oliveira.

O criminoso foi expulso da Polícia Militar em 1983 por indisciplina e envolvimento com o crime. Ele diz que virou bandido depois que seu irmão foi morto e levou pânico ao bairro de Botafogo ao disputar o controle do tráfico de drogas do Morro Dona Marta com Emilson dos Santos Fumero, o Cabeludo. Em 87, o favela viveu 14 dias de intensos tiroteios.

"Matei muito para não morrer. Hoje, só tenho fama"

Zaca foi preso na casa da mulher, no bairro Santa Rita, Nova Iguaçu. A polícia sabia que o bandido estava escondido na Rocinha e que de vez em quando visitava a família. Ele estava desarmado, vendo TV, sentado no sofá e não reagiu.

A fama de Zaca ainda faz com que ele mantenha o olhar firme e um tom ameaçador, apesar do discurso de arrependimento. O bandido com cabelos grisalhos disse que largou o tráfico e que trabalha como pedreiro. Ele contou que, por ser um criminoso da velha guarda, escapou de várias ações.

"Esses policiais não me conhecem mais. Sou velho e mais um 'paraíba'. Já cruzei com a polícia muitas vezes, até já me renderam e me fizeram levantar a blusa, mas estava sem nada e fui embora. Me arrependo muito do que fiz, hoje sou um tremendo bundão, mas, como tenho um nome e um passado, não me deixam em paz", afirmou, alterado.

Ele diz que quer cobrar um percentual pelo livro 'Abusado', do jornalista Caco Barcellos, e do filme 'Boca de Ouro', dirigido por Walter Avancini, que têm passagens sobre ele: "matei muito para não morrer, mas hoje larguei tudo. Hoje só tenho fama", despista.

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