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Polícia

'Estava na escuridão', diz traficante arrependido ao se entregar no Rio

27 jun 2012 - 18h39
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Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro

Traficantes de favelas cariocas, que se sentem acuados com a ocupação das comunidades pela polícia e se dizem arrependidos da vida bandida, consideram sair do tráfico e se entregar às autoridades, a exemplo do que fez nesta quarta-feira Cristiano Santos Guedes, conhecido como Puma. Negociações vêm sendo intermediadas pela ONG Afroreggae, que já fez essa ponte com, pelo menos, cinco outros ex-traficantes.

"Muitos me mandam cartas, dizendo que querem uma outra oportunidade. Acho que num curto espaço de tempo, outros vão se entregar", afirmou o coordenador do Afroreggae, José Junior.

Puma já chefiou o tráfico do morro da Quitanda, em Costa Barros, zona norte do Rio. É apontado pela polícia como um dos principais líderes da facção criminosa Amigo dos Amigos (ADA), que controla pontos de venda de drogas na favela da Rocinha. Segundo o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança, Fábio Lago, ele tinha trânsito livre na Rocinha e ligação próxima com Nem, que chefiava o tráfico na favela da zona sul.

José Junior, inclusive, revelou que Nem já vinha negociando sua entrega quando foi preso, quando deixava a Rocinha num porta-malas de um carro. O traficante está no presídio federal de segurança máxima em Campo Grande (MS).

Puma foi apresentado nesta quarta-feira à imprensa, e tinha a companhia de outros ex-traficantes que dizem não ter e não querer mais qualquer contato com a vida criminosa. Entre eles estava Francisco Paula Testas Monteiro, o Tuchinha, que já comandou o tráfico no morro da Mangueira.

"Estava vivendo na escuridão. O sofrimento é grande, aquilo lá não é vida pra ninguém. Agora as coisas estão voltando a brilhar. Queria me apresentar e resolver minha vida de uma vez. Pra todo mundo teve jeito. O que peço é oportunidade", afirmou.

Tuchinha se integrou ao grupo do Afroreggae, coordenado pelo pastor Rogério Menezes, quando já estava preso. Caso diferente de Diego Raimundo da Silva Santos, o Mister M, que se entregou quando a polícia e o Exército ocuparam o Complexo do Alemão, em novembro de 2010.

Puma é o primeiro traficante de uma área não ocupada pela polícia a se entregar de forma espontânea. Ele disse que já estava afastado do tráfico desde outubro do ano passado. Foi quando procurou o Afroreggae, disposto a seguir um novo caminho, e começou a negociar para que se entregasse sem que houvesse "covardia", conforme explicou. Puma admitiu que não poderia simplesmente deixar o tráfico e seguir a vida normalmente, já que tem contas a acertar.

"Já estou fora há muito tempo. Só que estava devendo. Queria me entregar, e estou aqui porque sei que não vai ter covardia", disse.

O agora ex-traficante garantiu estar feliz com a opção, e contou ter feito tudo pensando na sua família, especialmente nos seus sete filhos. Com quatro mandados de prisão expedidos por crimes como tráfico de drogas e tentativa de homicídio, disse não se importar com o fato de ir para um presídio. "Vou esperar o julgamento para ver o que vai ser da minha vida. Quero seguir em frente".

José Junior ressaltou que muitos que atuavam no tráfico de drogas no Alemão, e que não tinham passagens pela polícia, largaram o crime quando os morros da zona norte foram ocupados. Segundo ele, o projeto Empregabilidade, coordenado pelo Afroreggae, encaminhou, nos últimos quatro anos, mais de 1,5 mil detentos e ex-detentos para algum tipo de atividade profissional.

Fonte: Terra
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