Cuiabá tem ao menos 23 casos de agressão a travestis em 2011
A capital do Mato Grosso teve, em 2011, pelo menos 23 casos de agressão a travestis, além de três assassinatos desde o início de maio. As informações são do Centro de Referência de Enfrentamento à Homofobia de Mato Grosso, subordinado à Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos. O órgão presta assistência psicológica e judicial aos travestis.
Segundo a coordenadora do centro, Cláudia Cristina Carvalho, o número de agressões que chegou à instituição é 23, mas a realidade é muito pior. "Muitas delas não querem fazer boletins de ocorrência na polícia porque têm medo ou acham que não vai adiantar nada", diz. "Isso contribui para criar uma cultura de impunidade."
Desde setembro do ano passado, o Centro de Referência fez cerca de 180 atendimentos na área jurídica e psicológica aos travestis. "Muitas têm procurado o centro porque querem começar em outra profissão, com mais segurança, mas têm muito medo de sofrer preconceiro ou mesmo agressões", diz Cláudia. Em sua avaliação, o Mato Grosso é um dos Estados com maior índice de agressão a homossexuais, incluindo os travestis.
Cláudia critica a falta de interesse do poder público na questão. "Falta uma estrutura de inclusão social às travestis", afirma. Além disso, ela diz que é preciso uma campanha de conscientização da população sobre o respeito aos direitos dos travestis. "A sociedade precisa se conscientizar de que elas devem ter os mesmos direitos que todos os outros."