Bicheiro depõe por 3 horas sobre morte do filho no Rio
Bicheiro depõe por 3 horas sobre morte do filho no Rio
O contraventor Rogério Andrade saiu da Delegacia de Homicídios (DH), no Rio de Janeiro, após cerca de três horas de depoimento sobre o assassinato do filho Diogo Andrade, 17 anos. "Respeitem a minha dor", disse o bicheiro, que não quis dar entrevista. Segundo o advogado de Rogério Andrade, Luiz Carlos Silva Neto, seu cliente está se lembrando aos poucos dos momentos antes do atentado.
O bicheiro chegou à delegacia acompanhado pelo advogado e escoltado por cinco carros. O veículo que ele estava ainda deu uma volta no quarteirão, antes de parar definitivamente na porta da delegacia.
No dia 8 de abril deste mês, um explosivo que estava embaixo do carro de Rogério Andrade causou a morte de Diogo na pista central da Avenida das Américas, na altura do condomínio Barra Bali, no Recreio.
O subchefe operacional de Polícia Civil, Carlos Oliveira, disse que o explosivo estava na direção do centro do carro, mais próximo do motorista. O filho de Rogério teria morrido no lugar do pai, já que estava dirigindo o automóvel. Rogério Andrade estava no banco do carona.
Dois carros, um deles o que era usado pelo contraventor e seu filho, e uma motocicleta foram atacados por bandidos e ficaram completamente queimados. Outros veículos que passavam pelo local também teriam sido atingidos.
Diogo Andrade, 17 anos, era muito ligado ao pai. Ele era filho de Ana Paula, ex-mulher do contraventor. No tempo em que Rogério Andrade ficou preso, o filho costumava visitá-lo diariamente. Eles frequentavam uma academia da zona oeste, todas as manhãs. Com a separação dos pais, Diogo chegou a escolher morar com Rogério, na Barra da Tijuca.
Contraventor deixou Bangu 1 em 2009
No dia 23 de junho de 2009, os cinco ministros da quinta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram, por unanimidade, soltar Rogério Andrade. O contraventor estava preso em Bangu 1, no Complexo de Gericinó.
Rogério - que protagonizou uma guerra contra o rival, Fernando Iggnácio, deixando dezenas de mortos - havia sido condenado a 19 anos de prisão pela morte do primo, Paulinho de Andrade, filho de Castor de Andrade, em 1998, na Barra da Tijuca.
Em novembro, o advogado Luiz Carlos da Silva Neto, que defende o bicheiro, já havia conseguido, no mesmo STJ, a anulação da sentença. Em janeiro, Rogério e Iggnácio foram condenados pela 4ª Vara Federal Criminal a 18 anos de reclusão por formação de quadrilha armada, corrupção ativa e contrabando após a Operação Gladiador. Mas em março Iggnácio já havia conseguido um habeas-corpus.