Após chacina, comunidade da Chatuba faz ato pela paz
Dez dias após a chacina que matou nove pessoas na Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, a comunidade promoveu nesta terça-feira um ato pela paz, denominado "Chatuba Não É Favela". O evento teve como objetivo chamar a atenção das autoridades para o crescimento dos índices de violência na região, principalmente no local onde os jovens foram mortos.
O ato foi organizado pelo movimento Quem Cala, Consente, formado por moradores da região que reivindicam melhores condições para as comunidades locais. "O bairro da Chatuba não é uma favela. Ele foi ocupado nos últimos meses por pessoas de fora, e a opressão está sendo em cima da população, que tem sofrido muito. Esses bandidos não são moradores, vieram de outras comunidades da mesma facção onde foram instaladas UPPs. Eles se refugiaram no bairro porque o poder aquisitivo é menor na Baixada", disse Jania Bizarelli, coordenadora do movimento.
Segundo ela, a mata e as cachoeiras do Parque Natural de Gericinó, onde ocorreu a chacina, são usadas pelos moradores em atividades de lazer.
Para proteger os moradores após a chacina, a prefeitura de Mesquita está construindo um muro, de 4 m de altura por 6 m de comprimento, que vai bloquear um dos acessos ao parque. O paredão está sendo erguido na localidade conhecida como Curral, para dificultar o acesso de traficantes. Segundo a prefeitura, o muro começou a ser construído ontem e deverá ficar pronto até amanhã.
Onda de crimes na Chatuba
Desaparecidos após saírem para ir a uma cachoeira de Gericinó, em Mesquita (RJ), seis jovens foram encontrados mortos na manhã do dia 10 de setembro. Os adolescentes, moradores de Nilópolis, na Baixada Fluminense, foram identificados como Christian Vieira, 19 anos; Glauber Siqueira, Victor Hugo Costa e Douglas Ribeiro, 17 anos; e Josias Serles e Patrick Machado, 16 anos.
De acordo com laudo do Instituto Médico Legal (IML), os seis foram barbaramente torturados. Os documentos mostram que pelo menos dois deles tiveram os braços fraturados e quatro foram baleados na cabeça. As vítimas ainda tinham cortes profundos nos pescoços.
A polícia trabalha com a hipótese de que os jovens tenham sido capturados por traficantes locais, rivais da facção criminosa que comanda a região em que moravam as vítimas. Entre os acusados está Remilton Moura da Silva Júnior, o "Juninho Cagão", apontado como chefe do tráfico naquela comunidade. Além dos seis jovens, o grupo teria assassinado o pastor Alexandre Lima, 37 anos, e o cadete da Polícia Militar Jorge Augusto de Souza Alves Junior, 34 anos, no mesmo dia. José Aldeci da Silva Junior, que teria presenciado a morte do pastor, também pode ter sido vítima do grupo. Seu corpo foi encontrado em operação dentro da área do campo de instrução de Gericinó, que pertence ao Exército, no dia 13.
A onda de violência levou as autoridades a ocupar permanentemente a comunidade da Chatuba. A Polícia Civil também pediu a prisão temporária de sete traficantes suspeitos de participação na chacina.