Acusado de matar namorada: me inspirei em morte de inglesa
- Márcio Leijoto
- Direto de Goiânia
O coletor de lixo Francisco Márcio da Silva, o Barão, 37 anos, foi preso hoje à tarde acusado de ter matado Erilene Magalhães Gomes, 21 anos, cujo corpo foi encontrado dentro de uma mala por um casal de pescadores na tarde de domingo no Ribeirão João Leite, no Setor Goiânia 2, região norte de Goiânia (GO). Silva confessou o crime e disse que se inspirou em Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, 21 anos, que matou e esquartejou a inglesa Cara Marie Burke em julho do ano passado e colocou o corpo em uma mala, jogando-o no Rio Meia Ponte, em Goiânia.
O homicídio teria ocorrido na madrugada do dia 20 de maio. Além de Barão, foram presos também a tia dele, Maria Neide da Silva, 39 anos, o marido dela, Edmar Ribeiro dos Santos, acusados de participar da morte de Erilene, e mais três pessoas que teriam ajudado na ocultação do corpo. Todos os acusados são familiares de Barão.
Em depoimento, tanto Silva como sua tia afirmam que o crime foi passional e que o acusado estava sob forte emoção ao descobrir que Erilene, com quem mantinha um relacionamento de nove meses, o traía com outros homens no bairro em que moram, no Jardim Guanabara, próximo ao local onde a mala foi encontrada.
Conforme os depoimentos, Silva teria combinado com a namorada de saírem na noite do dia 19, mas ela teria saído sozinha. Nervoso, ele teria percorrido o bairro a pé e encontrado a jovem em uma boate com outro homem. Barão voltou para casa e ficou esperando Erilene, que chegou por volta de 1h. Os dois teriam discutido no quarto dele e, segundo Maria Neide, ele foi até a cozinha, pegou uma faca e durante nova discussão efetuou o primeiro golpe na jovem, na altura da clavícula esquerda. A vítima teria tentado correr, mas escorregou no próprio sangue e foi atingida por novos golpes nas costas.
O delegado José Maria da Silva, adjunto da Delegacia Estadual de Homicídios (DEH), disse que, após o esfaqueamento, a tia de Silva foi até o corpo e deu um golpe com um capacete de motociclista. O marido de Maria Neide teria dado um golpe com o pé que teria quebrado o pescoço da jovem. O coletor de lixo então voltou a dar novos golpes de faca.
"Ele diz que não se lembra quantas facadas deu", disse o delegado. Na casa havia mais três pessoas e todas teriam ajudado Silva a colocar o corpo em uma mala. "Vamos fazer igual o outro cara fez", teria dito o coletor de lixo aos familiares, se referindo a Mohammed D'Ali. Por ter uma estatura pequena, Erilene coube na mala.
Segundo o delegado, Barão precisou decapitar a jovem, o que ele nega ter feito. Parte do crânio não foi encontrada, apenas a mandíbula inferior. "Foi arrancado da mandíbula para cima", disse José Maria. As prisões de Silva e seus parentes foram possíveis depois que a irmã de Erilene, a doméstica Eliane Magalhães Gomes, compareceu à delegacia ontem e reconheceu o lençol, o edredon e o cabelo da jovem. Na vizinhança, todos suspeitavam de Barão, que sustentava a versão de que a vítima havia ido embora sem avisar ninguém.
Silva foi ouvido ainda ontem, mas negou que tenha matado a jovem. Após juntar testemunhos que contrariam a versão do coletor de lixo, a polícia conseguiu um mandado de prisão preventiva contra ele na tarde de hoje.