Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Brasil

Publicidade

Mulher de 37 que dizia ter 12 também enganou 'mãe adotiva' no Rio: 'Acabou com a minha saúde mental'

Nutricionista afirma que Amanda Maria tinha dezenas de agulhas espalhadas pelo corpo

5 jun 2026 - 15h18
(atualizado às 15h21)
Compartilhar
Exibir comentários
Amanda Maria fez vítimas em vários estados se passando por adolescente
Amanda Maria fez vítimas em vários estados se passando por adolescente
Foto: Reprodução/TV Globo

A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, em Joinville (SC), acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos, trouxe à tona uma história semelhante vivida por duas mulheres no Rio de Janeiro em 2023. Antes de adotar a identidade falsa de "Gabriele" em Santa Catarina, ela já havia se apresentado como "Duda" e convencido uma rede de apoio de que era uma menina com autismo que fugia de uma rotina de abusos.

Entre as pessoas que acreditaram na história está a nutricionista Renata Magalhães, de 52 anos. Em entrevista à BBC News Brasil, ela explicou como foi envolvida pela narrativa construída por Amanda.

"A gente não olhava para a mulher, mas para a história que ela contava", afirmou.

Segundo Renata e a amiga Viviane Henriques, de 45 anos, diretora de um projeto social que acolhe crianças vítimas de abuso e com autismo, a suposta adolescente dizia ter fugido do Ceará após sofrer violência do pai e ter percorrido parte do caminho até o Rio de Janeiro em caronas com caminhoneiros.

Sensibilizadas com o relato, as duas foram buscá-la em Magé, na Baixada Fluminense, e providenciaram moradia e assistência para ela em Nova Iguaçu.

"Quando ela contou a história, me apavorou muito, porque eu já lido com esse tipo de situação", disse Viviane à BBC News Brasil.

A diretora do projeto social afirma que o comportamento e a aparência de Amanda contribuíam para tornar a versão convincente.

"As pessoas acham absurdo acreditar. Mas, pessoalmente, ela aparentava ser adolescente, sempre com casaco e capuz. Ela alegava ter autismo e tinha uma fala muito infantilizada. Ficamos com o coração na mão."

Durante cerca de um mês, Amanda recebeu cuidados das duas amigas. Segundo os relatos, ela pedia mamadeira, chupeta e alimentos associados ao universo infantil. Também afirmava que tinha agulhas espalhadas pelo corpo em consequência de rituais realizados pelo pai, a quem chamava de "bruxo"...

As mulheres chegaram a levá-la para realizar exames. 

"Saía até da boca, era assustador", relatou Renata sobre a quantidade de agulhas identificadas.

Com o passar do tempo, no entanto, algumas atitudes começaram a despertar suspeitas. Renata conta que Amanda passou a exigir sua presença constante e a fazer ameaças caso fosse deixada sozinha.

"Ela acabou com minha saúde mental, minha vida financeira. Ela me tirou de perto dos meus filhos, fazendo pressão psicológica", lembrou.

As diferenças de comportamento da falsa adolescente diante de cada uma das mulheres contribuíram para aumentar as dúvidas. A situação levou Renata e Viviane a procurarem a polícia, que descobriu a verdadeira identidade de Amanda.

Na investigação realizada no Rio de Janeiro, a mulher foi presa em flagrante por estelionato, falsa identidade e falsidade ideológica. De acordo com a polícia, ela confessou os crimes, mas acabou sendo liberada após audiência de custódia.

Mesmo caso em SC

O caso voltou a ganhar repercussão nesta semana após a Polícia Civil de Santa Catarina revelar que Amanda repetiu o mesmo padrão de comportamento em Joinville. Utilizando o nome falso de "Gabriele", ela teria vivido por 14 meses com uma família, alegando ser uma adolescente com autismo e adotando hábitos infantilizados para sustentar a farsa.

Ao ver a história se repetir em outro estado, Renata afirma ter sentido indignação e impotência.

"Claro que a gente fica chateada com a história, não tenho patrocínio para meu projeto, mobilizei pessoas para ajudar. Aí falavam: 'Agora vai parar de ser boba'. Mas eu não vou parar de querer ajudar", disse Viviane.

Renata também defende que o caso seja analisado além da esfera criminal. "Acredito que ela tenha algum tipo de transtorno, que pode ser perigoso. Não é só prender, ela precisa de tratamento", afirmou.

A Justiça catarinense manteve a prisão preventiva de Amanda e determinou a realização de um exame de sanidade mental, solicitado pela defesa. O resultado da perícia deverá subsidiar os próximos passos do processo.

Simples Conteudo Simples Conteúdo
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Meu Terra