Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 anos ganhou festa de aniversário e tratamento com Mounjaro
A investigação sobre o caso de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que fingiu ser uma adolescente de 12 anos em Joinville, no Norte de Santa Catarina, revelou novos detalhes sobre a relação construída com a família que a acolheu durante mais de um ano. Segundo a Polícia Civil, além de moradia, alimentação e cuidados cotidianos, a suspeita recebeu da família um tratamento para obesidade com um medicamento de alto custo e chegou a ganhar uma festa de aniversário organizada pelos chamados "pais adotivos".
O delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, contou em entrevista à TV Globo que a mulher convenceu a família a custear um tratamento com Mounjaro, indicado para controle do diabetes tipo 2 e obesidade. Cada caneta do medicamento pode custar cerca de R$ 2 mil.
A convivência entre Amanda e a família durou aproximadamente 14 meses. Nesse período, ela utilizava o nome de "Gabriele" e, segundo a investigação, construiu gradualmente uma narrativa que despertou a confiança e a compaixão do casal.
Amanda foi presa após confessar que utilizava uma identidade falsa para se apresentar como uma menina em situação de vulnerabilidade. Ela é investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade. A Justiça converteu sua prisão em flagrante para preventiva.
Conforme documentos do inquérito, a aproximação ocorreu por intermédio de um pastor. Inicialmente, Amanda teria afirmado ter 18 anos, experiência profissional na área de panificação e interesse em conseguir emprego. Com o passar dos meses, entretanto, passou a relatar dificuldades financeiras e problemas de saúde, recebendo apoio dos moradores.
Em seguida, ela mudou a versão apresentada e passou a afirmar que tinha apenas 11 anos e alegou ter sido vítima de abusos familiares. Sensibilizado com a história, o casal permitiu que ela morasse na residência como filha e até organizou uma festa para celebrar os 12 anos dela.
Para que a família acreditasse em sua versão, ela usava chupetas e mamadeiras, e alegava ter autismo e sequelas de tratamentos hormonais forçados na infância.
Segundo o delegado, a investigada também conseguiu convencer os responsáveis de que não poderia frequentar a escola por medo de ser localizada por um suposto pai agressor.
"A narrativa construída era sempre voltada para reforçar a necessidade de proteção e afastar qualquer possibilidade de contato externo que pudesse revelar a fraude", explicou o investigador.
A descoberta do golpe ocorreu após a desconfiança de uma parente da família. Sem conviver diariamente com a suposta adolescente, ela questionou a história e iniciou pesquisas na internet. Durante as buscas, encontrou registros de um caso semelhante ocorrido no Rio de Janeiro, com características parecidas e envolvendo a mesma mulher.
A partir da denúncia, a família procurou a Polícia Civil, que confirmou a verdadeira identidade da suspeita. As investigações apontam que Amanda já possui histórico de ocorrências semelhantes em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Segundo o delegado, não havia repasse direto de dinheiro, mas ela tinha acesso a uma rotina confortável e a diversos benefícios custeados pelos responsáveis.
A defesa de Amanda informou que ela deverá ser submetida a exames de sanidade mental. O resultado das avaliações poderá auxiliar na condução do processo criminal, que segue em andamento.
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