Gabriel era um sonhador, diz mãe de brasileiro em velório
AMANDA PINHEIRO
Cerca de 50 pessoas estiveram na manhã desta segunda-feira na capela 1 do cemitério Memorial do Carmo, na zona norte do Rio de Janeiro, onde é velado o corpo do economista Gabriel Buchmann. Emocionada, a mãe de Gabriel garantiu que dará continuidade ao trabalho humanitário do filho. "Meu filho era um idealista, um sonhador. Tinha o ideal de melhorias e queremos dar continuidade a isso", disse Maria de Fátima Buchmann.
A mãe de Gabriel chegou ao cemitério por volta das 11h30, com a irmã do economista. Maria de Fátima agradeceu a solidariedade dos amigos, citando que, desde o desaparecimento do filho, recebeu muitas mensagens de amor e carinho.
Gabriela Reis, namorada de Gabriel, falou sobre o resgate do corpo e agradeceu a todos. Disse que Gabriel morreu fazendo o que gostava.
O economista desapareceu no dia 17 de julho após dispensar o guia que havia contratado para escalar o monte Mulanje, no Maluí, na África. Na última quarta-feira, o corpo foi encontrado e a família notificada por diplomatas franceses. Gabriel será cremado na terça-feira à tarde no mesmo local onde é velado.
Corpo chegou domingo
O corpo chegou ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no fim da tarde de domingo, e foi levado de carro para o Rio. As últimas imagens do economista, registradas na câmera fotográfica encontrada com ele, mostram que o jovem conseguiu atingir o cume do monte Mulanje, no Maláui, no dia 17 de julho. Ele estava agasalhado, com gorro, cachecol.
O economista foi visto com vida, pela última vez, quando se preparava para a escalada. O guia contratado para subir com Gabriel disse que foi dispensado no dia 16 de julho, quando o brasileiro decidir seguir sozinho, para percorrer a trilha mais rapidamente. No dia seguinte, o tempo mudou, e as temperaturas caíram.
Durante mais de duas semanas, uma equipe de canadenses ajudou os locais nas buscas. Eles chegaram a passar bem perto de onde Gabriel estava, mas o corpo só foi localizado por camponeses a dois mil metros de altitude, em uma espécie de ninho feito por Gabriel para se proteger do frio. A autópsia concluiu que a causa da morte foram as baixas temperaturas na montanha.
O continente africano era a última escala de uma viagem de estudos que Gabriel fazia desde o ano passado por países pobres do mundo. O cientista econômico, que era morador do Leblon, e também tinha nacionalidade francesa, viajava desde julho de 2008 e já havia passado por 60 países. O carioca tinha mestrado pela PUC-RJ e atualmente cursava doutorado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.