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Família aplica golpe de 'ritual de purificação' e faz mulher perder R$ 250 mil em SP

Vítima só percebeu crime após 'tratamento espiritual' contra depressão não surtir efeito

9 fev 2026 - 04h58
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Resumo
Mulher de 54 anos perdeu R$ 250 mil ao ser enganada por supostos curandeiros em SP, que foram condenados por estelionato após prometerem rituais de purificação para tratar depressão.
Segundo o FGC, poderão ter o dinheiro de volta clientes do Master que possuem CDBs e outras aplicações
Segundo o FGC, poderão ter o dinheiro de volta clientes do Master que possuem CDBs e outras aplicações
Foto: José Cruz/Agência Brasil / Estadão

Uma mulher de 54 anos perdeu cerca de R$ 250 mil após ser enganada por um grupo que se passava por curandeiros e prometia curá-la da depressão por meio de supostos rituais de purificação. Em decisão mantida em dezembro de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou a condenação de cinco integrantes da mesma família por estelionato.

Como era o golpe?

De acordo com os autos, aos quais o Terra teve acesso, uma das condenadas, Márcia Kweick, percebeu a fragilidade da vítima e iniciou uma amizade com ela para, mais tarde, oferecer práticas de cunho sobrenatural para purificação.

Márcia dizia que poderia ajudar a mulher em um tratamento contra a depressão, que estava abalada em razão da morte da mãe. “A investigada percebeu que a vítima estava triste e com problemas pessoais. Aproveitando-se dessa fragilidade emocional da ofendida, passou a ludibriá-la, dizendo que conhecia práticas de cunho sobrenatural para purificação”, relata o processo.

Como foi a aproximação?

A partir dos encontros iniciais, a vítima passou a frequentar a casa de Márcia. Segundo a denúncia, em todas as visitas, eram realizados rituais descritos como "incomuns e singulares, algumas supostamente envolvendo animais". 

Para realização de prática destinada a purificação, que consistia em incinerar tais bens em um tambor, estavam presentes os demais denunciados, todos conluiados para induzir e manter a vítima em erro.

O golpe começava quando os denunciados guardavam as notas de dinheiro e as joias em um embrulho de papel – que supostamente seria lançado ao fogo. Em seguida, os suspeitos solicitavam que a vítima fechasse seus olhos e se deitasse em um lençol branco posto no chão da sala.

Com a mulher de olhos fechados, os golpistas trocavam o embrulho de papel e jogavam no fogo um outro embrulho, mantendo a posse dos bens da vítima.

Quem são os golpistas? 

  1. Márcia Márcia Kweick,
  2. o marido dela, Alexander Jovanovich Queiroz,
  3. os filhos Larissa Kwiek Jovanovich Queiroz e Wladimir Kwiek Jovanovich Queiroz,
  4. e a nora, Kathleen Nicolini Iwanovich.

Como o golpe foi descoberto?

A descoberta da farsa ocorreu quando a vítima viu quando os golpistas guardando as notas de dinheiro e as joias em um embrulho de papel, que supostamente seria lançado ao fogo. 

Os valores foram embrulhados em papel, e os acusados anunciaram que seriam queimados. Em seguida, a vítima foi induzida a fechar os olhos e a se deitar sobre um lençol branco no chão da sala. 

Nesse momento, houve a troca dos embrulhos, que foi percebida pela vítima. 

Além de perceber a artimanha dos denunciados, a mulher percebeu que a apatia e a depressão não cessaram mesmo após os rituais”. Foi então que ela concluiu que havia sido enganada. A vítima procurou a Polícia Civil e registrou ocorrência na 94ª Delegacia de Polícia da capital.

Quanto a vítima perdeu no golpe?

Os "rituais de purificação" ocorreram entre novembro de 2018 e janeiro de 2019 em uma residência que fica em Pinheiros, na capital paulista.

Nesse período, acreditando que os rituais ali praticados eram sérios e idôneos, dirigidos a sua cura emocional, a mulher entregou R$ 135 mil em dinheiro, jóias avaliadas em R$ 100 mil e um celular de R$ 14 mil. No total, foram R$ 249 mil. 

Como foi a condenação?

Na decisão de 1ª instância, o juiz Fernando Augusto Andrade Conceição afirmou que, em crimes patrimoniais, a palavra da vítima tem especial relevância, já que foi ela quem vivenciou diretamente os fatos. O magistrado condenou as cinco pessoas por estelionato. 

A defesa recorreu da sentença e tentou a desclassificação do crime para curandeirismo, mas o argumento foi rejeitado e o Tribunal de Justiça manteve a condenação por unanimidade. No acórdão, a 4ª Câmara de Direito Criminal afirmou que houve coautoria inequívoca e que os réus atuaram de forma conjunta para induzir e manter a vítima em erro. 

Em seu voto, o relator do recurso, desembargador Euvaldo Chaib, também rejeitou a desclassificação do delito para curandeirismo, ao destacar que, no estelionato, o dolo é antecedente à obtenção da vantagem ilícita e que se trata de crime material, consumado quando o agente obtém a vantagem mediante fraude. 

“Os réus lançaram mão de uma artimanha, manobra ardilosa consistente em preparar um ritual que intitularam de trabalho espiritual para obtenção da vantagem patrimonial. E o valor assenhoreado foi absolutamente considerável, incompatível com um mero ritual de purificação. A intenção era sempre ter uma vantagem patrimonial, ilícita, em prejuízo [da vítima], valendo-se de meio fraudulento e da credulidade da ofendida”, afirmou. 

  • Márcia pegou um ano e nove meses de reclusão, mais o pagamento de 15 dias multa;
  • Alexander pegou um ano e quatro meses de reclusão, além do pagamento de 13 (treze) dias multa;
  • Kathleen pegou um ano e quatro meses de reclusão, além do pagamento de 13 (treze) dias multa;
  • Wladimir um ano e quatro meses de de reclusão, além do pagamento de 13 (treze) dias multa
  • Larissa teve a pena convertida em restritiva de direitos

O Terra não localizou a defesa dos denunciados.

Fonte: Portal Terra
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