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'Vivemos em condições insalubres', diz residente do Hupe

4 jul 2012 - 17h11
(atualizado às 18h00)
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André Naddeo
Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro

O Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) foi atingido por um incêndio na manhã desta quarta-feira
O Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) foi atingido por um incêndio na manhã desta quarta-feira
Foto: Dhavid Normando / Futura Press

O incêndio que atingiu o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) na manhã desta quarta-feira em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro, trouxe à tona problemas graves de falta de estrutura, equipamentos e pessoal na instituição. Residentes e funcionários do hospital, vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), revelaram a precariedade do atendimento aos pacientes. "A gente vive em condições insalubres", disse Flávia Nobre, residente do 2º ano de Cirurgia Geral.

"Nós não temos condições dignas de trabalho. E eu digo isso por todos, pelos residentes, pelos professores, pelos enfermeiros, pelos técnicos administrativos. Está todo mundo aqui querendo ajudar e atender os pacientes. E a gente não consegue. Trabalhamos com 30% do que esse hospital poderia oferecer", disse Flávia. "Temos que escolher qual paciente vai para a unidade fechada. A gente está aqui aprendendo a ser médico, todo mundo no início de carreira, e estamos aprendendo Medicina da maneira errada", afirmou.

De acordo com a residente, o hospital só mantém os atendimentos em função da dedicação dos servidores. "É o corpo humano que mantém esse hospital de pé. Porque, com o salário que todo mundo recebe aqui dentro, era para estar todo mundo em casa. Tanto que, vira e mexe, tem greve". Segundo ela, a precariedade atinge todos os setores da instituição. "A gente tem que correr atrás de tudo. Não temos um número de encaminhadores decente para levar os pacientes para o Raio-X. São os alunos do 5º ano, são os residentes, a enfermagem, que têm que pegar paciente pesado com maca e levar para o Raio-X. Isso é, no mínimo, um absurdo!", indignou-se.

A nutricionista Cintia Teixeira, servidora do Hupe, reforçou as queixas. "Faltam serviços essenciais. O Raio-X não funciona e a cozinha precisa de obras", afirmou. O residente em Cirurgia Geral Douglas Poschinger também destacou a falta de equipamentos, e reclamou ainda dos baixos salários. "A gente trabalha mesmo por paixão. Estaria ganhando melhor nem uma UPA", disse ele.

Segundo Flávia, o governo trata o Hupe com descaso. "Parece que o governo não sabe o que acontece aqui. O centro cirúrgico tem 20 salas, mas só oito funcionam. O resto está em obras há quatro anos. A situação é insustentável. Não é possível que ninguém olhe para esse hospital, o único hospital universitário do Rio de Janeiro, que era para ser o melhor do Estado. Pedimos que a população apoie a gente. Nós, sozinhos, não somos nada. Somente médicos, enfermeiros e funcionários, a gente não consegue", desabafou.

Outro problema alvo das denúncias foi a cozinha da unidade. O residente de Nutrição Thiago Cabral afirmou que parte do espaço está funcionando com tapumes de madeira em volta e vazamento de água pelo teto, fatores que podem prejudicar a qualidade da comida dos pacientes. Segundo ele, também faltam comida e utensílios. "O teto está com mofo. Às vezes, não consigo dar pão com manteiga para os pacientes. Uma vez nem faca tinha. O paciente teve que passar a manteiga com o dedo", disse. "Vemos internos ficando desnutridos aqui. Pedimos até para eles trazerem comida de casa. A cozinha aqui é horrível".

O reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, admitiu à imprensa que desconhecia a insatisfação dos residentes e as queixas apresentadas, como a falta de material para o trabalho. Ele prometeu se reunir com os residentes na próxima segunda-feira. Com relação ao centro cirúrgico, o reitor confirmou a interdição de algumas salas por obras que se arrastam há dois anos. Segundo ele, seriam dez as salas que funcionam, e não oito, como afirmou a residente.

Vieiralves confirmou os problemas na cozinha do hospital, mas garantiu que ela não está em funcionamento. O local, segundo ele, está fechado, e as obras ainda estão em processo de licitação. Uma empresa foi contratada para fornecer comida aos pacientes. "Não falta comida. Estamos em um processo de investimento gigantesco. Nos últimos quatro anos, foram investidos R$ 50 milhões em equipamentos e obras em todo o hospital", disse ele.

O incêndio de hoje atingiu o almoxarifado do Hupe e causou a morte de uma mulher. As chamas não chegaram ao prédio principal da unidade, ao lado, onde ficam as internações, mas cerca de 100 pacientes precisaram ser realocados devido à fumaça. A única vítima fatal estava internada com fibrose pulmonar na ala de cirurgia torácica, no 4º andar. Ainda não há informações sobre a identidade da paciente.

O incêndio foi controlado pelos bombeiros, e a luz e os elevadores já foram restabelecidos. Um hospital de campanha será montado para dar assistência aos pacientes. Segundo o governo, o abastecimento de medicamentos e insumos está garantido.

Com informações do Jornal do Brasil

Fonte: Terra
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