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São Paulo veta atos da oposição no 7 de setembro

Movimentos de esquerda mantêm protesto na mesma data de manifestação pró-Bolsonaro; governo cita risco à segurança

26 ago 2021 17h25
| atualizado às 17h58
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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta quinta-feira (26) que a Secretaria de Segurança Pública vetou a realização de protestos contra o presidente Jair Bolsonaro em 7 de setembro. A determinação valeria tanto para a capital quanto para outras cidades paulistas, e o secretário de Segurança Pública, coronel Alvaro Batista Camilo, disse que deve chamar os coordenadores da campanha contra o presidente para um diálogo sobre os atos.

Manifestantes pedem a saída do presidente Jair Bolsonaro
Manifestantes pedem a saída do presidente Jair Bolsonaro
Foto: Roberto Sungi / Futura Press

A coordenação da campanha nacional Fora Bolsonaro afirma que manterá o protesto no Vale do Anhangabaú, e que a mudança de data não está em discussão.

Em uma entrevista coletiva marcada por críticas a Doria, representantes de movimentos de esquerda ressaltaram que a realização de seu ato é uma questão de garantia constitucional. Na organização dos protestos há o receio de que a Polícia Militar não garanta a segurança do ato contra o presidente, e de que os manifestantes fiquem expostos à violência em eventuais confrontos com bolsonaristas.

"Houve a negativa da Secretaria de Segurança Pública à utilização do Vale do Anhangabaú, ou do Largo da Batata ou de qualquer outra área não só na capital, mas no Estado de São Paulo, para manifestações desta ordem (de oposição ao governo federal) no dia 7", disse Doria em entrevista coletiva nesta quinta.

"Não há conveniência de que grupos antagonistas se manifestem no mesmo dia, ainda que em locais diferentes. Isso põe em risco a segurança dos manifestantes, e obviamente divide o esforço de segurança pública do Estado de São Paulo."

O governador tem insistido que os atos contra Bolsonaro sejam feitos no dia 12, o que irrita os manifestantes que coordenam a campanha pelo impeachment do presidente. No dia 12 há um ato convocado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e o pelo Vem Pra Rua, grupos de direita que migraram à oposição contra Bolsonaro, ao qual Doria já declarou apoio.

"O governador está fazendo confusão de forma proposital", disse o coordenador nacional da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim, um dos organizadores da campanha da oposição contra Bolsonaro. "Nós esperamos mesmo que o governador João Doria não ouse, não continue tentando vetar a nossa manifestação no Vale do Anhangabaú. Vamos fazer a manifestação."

A coordenação da campanha Fora Bolsonaro já comunicou nesta quinta à PM sua intenção de transferir o ato para o Anhangabaú, após desistir de uma disputa jurídica com movimentos bolsonaristas pela realização do ato na própria Avenida Paulista. Durante a manhã, os coordenadores tiveram uma reunião com o secretário municipal da Casa Civil, Ricardo Tripoli, que informou não ter restrições à realização do ato da oposição no Anhangabaú.

A segurança do ato, no entanto, é responsabilidade da PM, sob comando do governo estadual. Enquanto Doria sinalizou que a negativa aos protestos de esquerda já é um fato consumado, o secretário defendeu o diálogo com os grupos de esquerda.

"Vamos chamar os organizadores para conversar com eles para que eles façam a utilização do dia 12, que seria o melhor dia", disse o coronel Camilo. "Aliás ganharia até mais vulto todos fazerem no dia 12, porque o objetivo é comum", comentou.

Estadão
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