Quem é Maicol Sales dos Santos que confessou ter matado Vitória, segundo a polícia de SP
Homem vinha perseguindo a vítima com táticas de stalking, segundo a investigação; reportagem tenta contato com a defesa de Santos
Maicol Antonio Sales dos Santos, de 26 anos, que confessou ter matado a jovem Vitória Regina Sousa, de 17, não tinha relacionamento com a família da vítima. O contato mais próximo foi com um irmão de Vitória, quando eles estudavam na mesma escola, anos atrás. Depois disso, segundo a irmã da vítima, Weronica Regina de Sousa, não houve mais contato. Segundo ela, Vitória nunca mencionou o nome do rapaz.
Conforme a investigação, o homem vinha perseguindo a vítima com táticas de stalking (crime de perseguição). A polícia diz que ele desenvolveu uma "obsessão" pela garota. Fotos dela foram encontradas em seu celular.
A reportagem tenta contato com o novo defensor de Maicol - seu advogado anterior, José Almir, disse ter deixado a defesa dele.
A perícia constatou que Maicol acessou o perfil da jovem no Instagram após seu desaparecimento, na madrugada de 27 de fevereiro.
Nesta terça-feira, 18, a polícia informou que Maicol confessou o crime e disse ter agido sozinho, não apontando eventuais comparsas. Ele teve a prisão temporária (30 dias) decretada pela Justiça no dia 8 de março.
Até ser preso, Maicol morava na mesma região que a família da vítima, no bairro de Ponunduva, em Cajamar, onde todos se conhecem. Apesar disso, ele não tinha proximidade com a família de Vitória.
O rapaz apontado como autor do crime, cometido com muita violência, não tinha antecedentes criminais. Durante a investigação, surgiram indícios de possível ligação com uma facção criminosa, o que não foi confirmado. Apesar disso, Weronica não acredita que ele tenha agido sozinho. "Eu não o conhecia, mas a gente não acha que ele fez isso sozinho." Para ela, a investigação precisa continuar.
Maicol é mecânico e costumava levar seu carro, o Toyota Corolla que teria sido usado para o crime, na mesma oficina onde o pai de Vitória, Carlos Alberto Sousa, também levava seu veículo para consertos. No dia do crime, o carro do pai de Vitória estava encostado na oficina, por isso ele não foi buscá-la após a saída do serviço.
A jovem foi arrebatada quando fazia a caminhada a pé para casa, após descer no ponto de ônibus mais próximo de casa. Segundo a investigação, o Toyota de Maicol foi visto na cena do crime.
Vitória desapareceu no trajeto à casa da família, na noite de 27 de fevereiro, e foi encontrada morta com marcas de violência, no dia 5 deste mês. O corpo, com a cabeça raspada e quase degolado, foi encontrado em uma mata da região, a 5 km da casa.
O Corolla de Maicol foi visto na cena do crime. Dentro do veículo, testemunhas relataram terem visto uma pessoa usando capuz, do tipo balaclava. A polícia identificou a compra de um item similar no celular de Maicon, adquirido por meio de um site de compras.
A perícia também encontrou possíveis marcas de sangue no porta-malas do carro. O material ainda é analisado.
A contradição no depoimento de Maicol também pesou contra ele. O suspeito afirmou que passou a noite do crime em casa com a esposa, mas ela desmentiu sua versão, dizendo que dormiu na casa da mãe e não esteve com o marido naquele dia.
Ficar na irmã
De acordo com Weronica, seu pai contou que havia feito contato com Vitória naquele dia e informado que não poderia ir buscá-la de carro no ponto de ônibus, sugerindo que ficasse na casa da irmã. Weronica mora próximo do shopping onde Vitória trabalhava. A adolescente disse que iria para a casa dele.
A irmã também conversou sobre isso com Vitória. "Eu tinha mandado mensagem para ela perguntando se ela iria para minha casa ou para a casa do meu pai." Weronica sabia que o pai estava sem o carro e não iria buscá-la naquela noite. Segundo ela, a irmã respondeu que iria para a casa do pai, onde ela não chegou.