Prédio residencial apresenta alto risco de desabamento em PE
Alexandra Torres
Direto do Recife
Técnicos da Comissão de Defesa Civil de Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife, retomaram nesta manhã os trabalhos de vistoria no bloco 155 do Conjunto Residencial Muribeca. O prédio teve que ser desocupado na madrugada deste domingo, depois que os moradores acordaram com a edificação tremendo e afundando. Segundo o coordenador da Defesa Civil de Jaboatão, Coronel Arthur Paiva, o bloco apresenta risco 4, ou seja, o mais alto na escala definida pelos engenheiros, o que significa alto risco de desabamento.
Ao todo, 32 famílias tiveram que deixar seus apartamentos. Na tarde de ontem, depois de uma análise dos técnicos da Defesa Civil e do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), que afirmaram que o processo de afundamento havia estacionado, os moradores puderam retirar os seus pertences. Nesta manhã, os técnicos concluíram que a estrutura voltou a apresentar atividade de desmoronamento.
Segundo o coronel Arthur Paiva, o prédio sofreu um processo conhecido como recalque. "Ele afundou cerca de 10 cm e pendeu para o lado esquerdo. Na parte de cima do imóvel, há rachaduras com até 5 cm de largura", explicou. Ainda de acordo com o coronel, o prédio, para ser reocupado, tem que passar por uma grande reforma, caso contrário, terá que ser demolido.
Por questões de segurança, foi isolada uma área de 20 m no entorno do edifício. Este é o sexto bloco do Residencial Muribeca que é interditado devido a riscos de desabamento.
Atividade de desmoronamento
Nesta manhã, o edifício voltou a apresentar atividade de desmoronamento. Ao sair do interior do prédio, Arthur Paiva, em companhia de dois engenheiros da Defesa Civil, confirmou que houve um aumento no tamanho das rachaduras. "De ontem para hoje percebemos que houve um aumento de 2 mm nas rachaduras. Parece pouco, mas para uma construção e no estado da que está esse bloco, isso é muito", disse o coronel. A corporação não permitiu nesta manhã que moradores entrassem no prédio para retirar seus objetos.
Muitas famílias aguardavam a liberação para a retirada de alguns itens pessoais. A dona de casa Maria Tereza da Silva foi uma das primeiras a chegar pela manhã na expectativa de entrar no apartamento. "Sou hipertensa e diabética, e todos os meus medicamentos estão lá dentro", disse. Um dos que conseguiram entrar, antes da proibição, foi Alexsandro Cândido, que morava no quarto andar. "Só deu para pegar os remédios e dinheiro, tive que deixar os móveis, roupas e objetos dentro do apartamento", disse ele.
Entre os motivos apurados pelos técnicos da Defesa Civil e do Itep para o problema no bloco 155, está a acomodação do solo pelo excesso de umidade, comprometeu a fundação da estrutura.