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Perto de completar 70 anos, AACD quer parcerias para fazer expansão

Entidade tem nove unidades em quatro Estados e busca ampliar rede de atendimento e treinar profissionais de outras instituições

3 dez 2019
05h11
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Perto de completar 70 anos, a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) está iniciando um processo de expansão, mas sem construir novos prédios. A entidade, que conta com nove unidades em quatro Estados (São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Pernambuco.), lançou um projeto para oferecer treinamento e compartilhamento de informações para entidades que atuam com pessoas deficientes em diferentes partes do País.

A meta é firmar parcerias com duas a três entidades anualmente e realizar até 100 mil novos atendimentos por ano. O primeiro contrato foi com uma instituição de Jequié (BA), que deve beneficiar 26 municípios vizinhos.

Em julho, durante 12 dias, cerca de dez profissionais do Centro de Reabilitação Nice Aguiar da Santa Casa de Jequié, ligado à Fundação José Silveira, visitaram as instalações de uma das unidades da AACD, na zona sul de São Paulo, e receberam treinamento teórico e prático.

"Vamos poder pulverizar o atendimento da AACD, reconhecido nacionalmente, no interior da Bahia. São mais de 100 mil pessoas com deficiência nessa microrregião. O principal aprendizado foi o método de tratamento. A forma de acolhimento e o trabalho humanizado emocionam a todos", diz Alexandre Ioussef, coordenador de Unidades Assistenciais de Saúde da Fundação José Silveira.

O centro foi inaugurado em novembro de 2018 e já estava atendendo os moradores da região. "Os testemunhos são os melhores possíveis: melhora de pacientes que estavam com dificuldade de mobilidade, também identificamos muitos casos de pessoas que nunca viram um fisioterapeuta e de pessoas que tinham de ir a Salvador e se deslocar por 300, 400 quilômetros para ter acesso a esse tipo de tratamento. Hoje, vão ter a oportunidade de ser atendidas com o modelo integral da associação."

A unidade faz 1,8 mil atendimentos por mês e pretende dobrar em 2020. "Atualmente, temos 200 pacientes em fila de espera."

Após AVC, paciente recupera fala durante tramento

Um dos pacientes é o marceneiro Manoel Galvão Cerqueira, de 63 anos, que teve Acidente Vascular Cerebral (AVC) em dezembro do ano passado e faz reabilitação no local. "Entrei em uma cadeira de rodas e sem fala. Voltei a falar com o tratamento com a fonoaudióloga. Agora, meu braço direito está quase normal."

Para Cerqueira, o atendimento no local foi fundamental para a sua recuperação. "Se não tivesse o tratamento lá, teria de ficar esperando melhorar com o tempo, porque não tenho condições de ir a Salvador. A Santa Casa caiu do céu. O atendimento é com pessoas que se dedicam e todo mundo faz tudo com muito amor. Do diretor ao faxineiro."

Por ano, a AACD realiza 800 mil atendimentos de pacientes com paralisia cerebral, amputação, má-formação congênita, lesão medular, lesão encefálica adquirida e distrofia neuromuscular. Chegar a locais sem assistência especializada para deficientes era uma meta.

"Estávamos muito preocupados em abrir novas unidades, só que dava mais trabalho tomar conta delas do que cuidar das pessoas. E não estamos aqui para administrar filiais, mas para cuidar de pessoas. Nosso objetivo é atender as pessoas com deficiência física, principalmente as carentes. Nosso país é um continente e tem localidades que nunca receberam um fisiatra. Essas pessoas são completamente desassistidas", explica Marcelo Kheirallah, associado da AACD.

A parceria, segundo Kheirallah, não prevê apenas o treinamento presencial na associação. "Vamos continuamente monitorar o trabalho dos parceiros. Nosso contrato prevê visitas periódicas e, quando algum tratamento evoluir ou tiver uma descoberta, vamos compartilhar com eles."

Instituições poderão se cadastrar no processo seletivo do programa

No próximo ano, um canal será aberto no site da entidade para que as instituições interessadas se cadastrem no processo seletivo do programa. "A gente imagina que vai conseguir firmar parcerias com duas a três entidades por ano, porque é um processo muito complexo. Fazemos cerca de 800 mil atendimentos por ano nas unidades próprias e não podemos comprometer esse número por causa do treinamento. Com as parcerias, vamos fazer cerca de 100 mil atendimentos a mais por ano."

Estadão
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