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Pane em ferry boat interrompe travessia e expõe crise em Salvador

24 jan 2013 - 16h29
(atualizado às 16h33)
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A crise do sistema ferry boat, que faz o transporte de veículos e passageiros entre Salvador e a Ilha de Itaparica, chegou ao seu ápice na manhã desta quinta-feira, quando todas as embarcações saíram de circulação. Desde a última terça-feira, só o barco Rio Paraguaçu fazia o trajeto e, hoje, ele parou de funcionar por problemas mecânicos. Pouco depois do meio-dia, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transporte e Comunicações da Bahia (Agerba), interventora do serviço antes operado pela paulista TWB, colocou em operação o Ana Nery, que estava no estaleiro para reparos.

Ferry Rio Paraguaçu parou de funcionar devido a problemas mecânicos, interrompendo por completo a travessia Salvador-Itaparica
Ferry Rio Paraguaçu parou de funcionar devido a problemas mecânicos, interrompendo por completo a travessia Salvador-Itaparica
Foto: Alberto Coutinho/Secom / Divulgação

Quem foi ao terminal de São Joaquim para embarcar para Itaparica se frustrou. "Eu iria passar alguns dias num resort, mas não sei como resolver. Pela estrada demora muito", lamentou a representante farmacêutica Melina Anjos, 32 anos, que veio à Bahia com o noivo. De volta ao hotel, os dois esperavam notícias da prometida volta do ferry, que realmente aconteceu.

Muita gente que embarcaria como pedestre optou pela lancha rápida, cujo terminal fica a cerca de 1 km de São Joaquim. O trajeto é mais rápido, porém, menos confortável, especialmente para quem tem muita bagagem. Além disso, o desembarque acontece em Mar Grande, uma das praias da Ilha de Itaparica, onde não há os mesmos serviços de ônibus, vans e taxis disponíveis no terminal principal, em Bom Despacho.

Para quem está de carro, a situação tem sido muito pior. Nos feriados de Natal e Ano Novo, a espera chegou a oito horas. Na primeira semana de 2013, o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Zé Neto (PT), recomendou que a população tomasse a estrada como primeira opção para deixar a capital em direção ao sul do Estado. A escolha, entretanto, aumenta o tempo de viagem em até três horas.

Na semana passada, a fisioterapeuta Clarissa Maki, 36 anos, viveu esse dilema. A caminho de um retiro espiritual em Itaparica, pediu ao marido que a levasse, junto com uma das filhas do casal, de apenas 10 meses, de carro. "Depois pensei bem, tenho duas crianças, uma de meses e outro de pouco mais de um ano. A estrada oferece muitos riscos", ponderou. A solução final não foi prática. "Fomos eu, meu marido, a babá e minha filha, com aquela bagagem toda, como passageiros. De lá, peguei um táxi. Amigos que eu encontrei passaram a tarde toda na fila de veículos", relata.

Até o ferry Ivete Sangalo, antes preferido dos usuários do sistema, está parado. Inaugurado em 19 de agosto de 2008, ele oferece cadeiras mais confortáveis que os demais, tem ar-condicionado, espaço para classe executiva e faz o trajeto em 30 minutos, contra a média de 55 minutos das demais embarcações.

A maior preocupação, tanto da Agerba quanto dos usuários do sistema, é o período do Carnaval, quando a demanda costuma triplicar. Isso porque, além das pessoas que se dirigem à ilha, há quem use o ferry como alternativa para reduzir a distância para outros destinos muito procurados como Morro de São Paulo, Itacaré e Barra Grande. Em nota oficial, a agência afirmou que o serviço estará normalizado até o período da festa com cinco embarcações: Ana Nery, Ivete Sangalo, Maria Bethânia, Rio Paraguaçu e Juracy Magalhães.

Na tarde de quarta-feira, o governador Jaques Wagner (PT) afirmou, durante uma entrevista coletiva, que a Bahia deve investir até R$ 40 milhões na compra de mais dois ferries, o que reduziria os problemas causados pelos equipamentos mais antigos, que exigem constantes reparos. Os negócios seriam feitos com algum estaleiro europeu, a fim de aproveitar a recessão do continente e conseguir melhores preços. De acordo com o petista, a licitação será lançada um mês depois da liberação do edital pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), ainda sem data definida.

Crise dos ferries se estende há anos

Os problemas com o sistema ferry boat não são novos. Durante a gestão da TWB, que começou em 2005, foram muitas as queixas dos usuários. Filas imensas, falta de organização, manutenção ruim, poucos barcos em período de pico e até acidentes. A situação piorou bastante a partir de 2010, chamando a atenção da imprensa e aumentando a pressão da opinião pública. Em 2011, o vice-governador e secretário de infraestrutura do Estado, Otto Alencar (PSD), negou publicamente que houvesse qualquer intenção de suspender o contrato com a concessionária.

À época, Alencar declarou que o governo do Estado não seria o gestor ideal para um serviço tão especializado, e que o ideal seria cobrar um bom trabalho da TWB. Mas as multas aplicadas à empresa, que ultrapassaram R$ 500 mil, não foram suficientes. Em 20 de setembro de 2012, com base nos resultados de uma auditoria feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), o serviço voltou para as mãos do governo. Até agora, não foi divulgada qualquer informação oficial sobre um novo processo de concessão para a operação da travessia Salvador-Itaparica. Mas, segundo a Agerba, três empresas já demonstraram interesse em participar da concorrência.

Fonte: Especial para Terra
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