Moraes autoriza ida de Bolsonaro a hospital um dia após ex-presidente bater a cabeça; o que se sabe
Ministro permite exames em hospital privado e ex-presidente foi ao DF Star, em Brasília, na tarde desta quarta-feira (7/1).
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realiza exames nesta quarta-feira (7/1) no hospital DF Star, em Brasília, após ter caído na prisão e batido a cabeça na terça-feira. A assessoria do hospital confirmou que Bolsonaro chegou ao local durante a tarde.
Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou pedido da defesa de Bolsonaro para que o ex-presidente fosse levado ao hospital. A autorização ocorreu após a defesa ter apresentado uma lista específica de exames a serem realizados e o local de realização.
Na terça-feira, Moraes havia vetado a ida de Bolsonaro a hospital para exames, citando laudo da Polícia Federal que constatava que a queda resultara em ferimentos leves, "sendo indicada apenas observação".
Na nova decisão, o ministro do STF determinou que o transporte e segurança de Bolsonaro ao hospital fossem realizados pela Polícia Federal "de maneira discreta" e que o desembarque fosse feito na garagem do hospital.
"A Polícia Federal deverá providenciar a completa vigilância e segurança do custodiado durante a realização dos exames e o posterior retorno à Superintendência da Polícia Federal", determinou ainda o ministro.
Após a decisão do STF, Michelle Bolsonaro publicou no Instagram que estava no estacionamento do hospital DF Star em Brasília, aguardando o deslocamento do ex-presidente para a unidade de saúde.
Na terça, a ex-primeira-dama fez postagem semelhante, mesmo sem a autorização de Moraes para que Bolsonaro fosse ao hospital.
Nesta quarta-feira, o Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou a instauração de uma sindicância para apurar denúncias que "expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica" a Bolsonaro.
"Os relatos de crises agudas de características diversas, episódio de trauma decorrente de queda, o histórico clínico de alta complexidade, sucessivas intervenções cirúrgicas abdominais, soluços e outras comorbidades em um paciente idoso, demandam um protocolo de monitoramento contínuo e imediato", afirma o CFM em publicação no Instagram.
A queda
Michelle divulgou na própria terça-feira, em suas redes sociais, que o ex-presidente havia caído e batido a cabeça enquanto dormia.
"Meu amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise, caiu e bateu a cabeça no móvel", escreveu Michelle Bolsonaro nos stories do Instagram.
"Como o quarto permanece fechado, ele só recebeu atendimento quando foram chamá-lo para a minha visita. Estou com o médico aguardando o delegado para saber como foram os primeiros socorros."
A queda posteriormente foi confirmada pela Polícia Federal (PF) em nota oficial.
"O médico da Polícia Federal constatou que houve ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação", informou a PF.
Questionada pela reportagem sobre alegação de Michelle Bolsonaro de que teria havido demora no atendimento, a PF disse que o ex-presidente foi atendido logo que informou sobre a queda.
Em entrevista à GloboNews, Claudio Birolini, médico de Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente teve um traumatismo cranioencefálico (TCE) leve.
O relatório médico da Polícia Federal, enviado para o ministro Alexandre de Moraes, diz que uma equipe compareceu às 9h para avaliar o estado de saúde de Jair Bolsonaro após pedidos dos agentes de plantão.
Segundo a PF, o ex-presidente relatou ter caído da cama durante a noite enquanto dormia. Ele também informou ter tido tonturas no dia anterior e soluços intensos à noite.
Os médicos que examinaram Bolsonaro relataram que ele estava consciente, orientado, sem sinais de déficit neurológico, mas com uma lesão superficial na face.
A equipe médica do ex-presidente foi comunicada, segundo o relatório.
Moraes veta, depois autoriza ida a hospital
A defesa do ex-presidente acionou Moraes na terça-feira (6/1) para pedir o encaminhamento de Bolsonaro para o hospital DF Star, "a fim de viabilizar a pronta realização dos exames clínicos e de imagem necessários diante da suspeita de traumatismo craniano, prevenindo-se agravamento do quadro e resguardando-se sua integridade física".
O ministro, no entanto, negou na própria terça o pedido da defesa, argumentando não haver "nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital", citando a nota divulgada pela Polícia Federal.
O ministro solicitou que a defesa indicasse quais exames seriam necessários para que fosse verificada a possibilidade de realização deles no sistema penitenciário.
Os advogados anexaram um pedido emitido pelo médico Brasil Ramos Caiado, solicitando com urgência a realização de três exames: tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma.
Eles insistiram que Bolsonaro fosse encaminhado a um hospital particular.
"Tais exames mostram-se essenciais para adequada avaliação neurológica (...), sendo indicada a sua realização em ambiente hospitalar especializado", argumentou a defesa.
Nesta quarta-feira, Moraes finalmente autorizou a ida de Bolsonaro ao hospital.
Prisão domiciliar foi negada
Bolsonaro está preso em uma cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos por golpe de Estado e outros crimes.
A queda durante o sono acontece quase uma semana após Bolsonaro receber alta do hospital, onde passou por uma cirurgia para corrigir hérnias na região da virilha e outros procedimentos para conter o quadro de soluços durante o Natal.
A defesa do ex-presidente chegou a encaminhar ao STF um pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário, alegando que o estado de saúde de Bolsonaro poderia ser agravado pelo cumprimento da pena em regime fechado.
O pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes e Bolsonaro retornou à sede da PF no dia 1º de janeiro.
A decisão foi criticada pela família Bolsonaro, que tem feito campanha para que o ex-presidente cumpra a pena em regime domiciliar.
Em uma carta compartilhada nas redes sociais, Carlos Bolsonaro disse que as medidas de Moraes "violam garantias constitucionais básicas" e que a manutenção do pai na Polícia Federal expõe Jair Bolsonaro a "riscos".