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Bolsonaro admite possibilidade de rever indicação de filho

20 ago 2019
16h32
atualizado às 16h42
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Presidente diz que só vai manter indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada em Washington se o cenário no Senado for favorável. "Não quero submeter o meu filho a um fracasso."O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta terça-feira (20/08) a possibilidade de desistir da indicação de seu filho Eduardo Bolsonaro para chefiar a Embaixada do Brasil em Washington. Desde que expressou a intenção, o mandatário tem sido alvo de críticas. Recentemente, um parecer do Senado chegou a classificar a nomeação de nepotismo.

A jornalistas, Bolsonaro afirmou que não deseja submeter o filho a um fracasso e admitiu que pode recuar caso não haja votos suficientes no Senado para aprovar a indicação de Eduardo. A Casa é responsável por sabatinar e dar o aval para a nomeação de futuros embaixadores.

"Você, por exemplo, está noivo. A noiva é virgem. Vai que você descobre que ela está grávida. Você desiste do casamento? Tudo é possível. Eu não quero submeter o meu filho a um fracasso. Eu acho que ele tem competência. Tudo pode acontecer", respondeu Bolsonaro ao ser questionado sobre a manutenção da indicação de Eduardo.

O presidente reiterou ainda que não acha que a indicação seja nepotismo e afirmou que o Senado tem direito de rejeitar a sua escolha. Bolsonaro criticou ainda o parecer técnico da Casa que colocou entraves para a escolha de Eduardo, afirmando que houve um "viés político" na elaboração do documento. "Se não for meu filho, vai ser o filho de alguém, porra", alegou.

Bolsonaro ainda não fez a indicação formal de Eduardo para o posto. O presidente aguarda alcançar um placar favorável antes do anúncio. Para ser aprovada, a indicação precisa do aval de mais da metade dos senadores. No final de julho, o Itamaraty, porém, enviou uma consulta ao Departamento de Estado americano, que concedeu sua autorização - agrément, na linguagem diplomática - para a indicação do deputado.

Eduardo Bolsonaro

Com 35 anos, Eduardo Bolsonaro tem a idade mínima estabelecida pela lei brasileira para embaixadores. Deputado federal em segundo mandato e chamado de "03" pelo pai, ele é escrivão concursado da Polícia Federal.

Não possui nenhuma formação na área internacional, mas é membro da Comissão de Defesa e Relações Exteriores da Câmara e exerce influência sobre a política externa do governo, além de acompanhar o presidente em viagens internacionais, tal como ocorreu no Fórum Econômico de Davos e na cúpula do G20 no Japão.

A indicação foi alvo de críticas nos meios político, diplomático e no Judiciário, que logo acusaram o presidente de prática de nepotismo. Em reação, Bolsonaro disse que pretendia beneficiar o filho. "Pretendo, está certo. Se puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou", afirmou.

O plano do presidente representa uma quebra sem precedentes na tradição diplomática do país. Nunca na história republicana brasileira um presidente indicou um filho para um cargo de embaixador, ainda mais em um posto tão sensível quanto a representação nos EUA. A prática também é exótica em grandes democracias do mundo. Exemplos desse tipo de indicação são encontrados em ditaduras - como a Arábia Saudita, o Chade e o Uzbequistão.

A embaixada brasileira em Washington já foi preenchida com indicações políticas no passado, como o ex-governador Juracy Magalhães nos anos 1960 e o banqueiro Walther Moreira Salles na década de 1950, mas nenhum dos indicados tinha relação de parentesco com o então presidente.

Após o anúncio, Eduardo tentou minimizar a sua falta de experiência diplomática. "Não sou um filho de deputado que está do nada vindo a ser alçado a essa condição. Tem muito trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores [da Câmara], tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos", disse.

CN/ots

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