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Ativista brasileira chega ao País: '12 horas no avião da minha liberdade'

Ana Paula Maciel desembarcou no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na manhã deste sábado, e ruma para Porto Alegre

28 dez 2013 08h05
| atualizado às 08h45
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Ativista brasileira Ana Paula Maciel desembarcou na manhã deste sábado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo
Ativista brasileira Ana Paula Maciel desembarcou na manhã deste sábado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo
Foto: Bruno Santos / Terra

A ativista brasileira Ana Paula Maciel, detida com mais 29 pessoas por protestar em uma plataforma de petróleo no Ártico em 18 de setembro, chegou ao Brasil na manhã deste sábado. Ela desembarcou no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), por volta das 7h05, e deve chegar a Porto Alegre às 11h, cidade onde mora a sua família. Ao chegar em território brasileiro, Ana Paula se mostrou muito contente e afirmou ter valido a pena ter ficado presa por 100 dias na Rússia. "Foram 12 horas no avião da minha liberdade", comemorou a brasileira, que chegou a São Paulo vinda de Frankfurt, na Alemanha.

"Eu passei tantas vezes 12 horas na solitária, que 12 horas dentro do avião foi barbada dessa vez. A minha vida mudou, foi uma tremenda injustiça, uma tentativa frustrada de calar os protestos pacíficos e a liberdade de expressão”, disse Ana Paula.

Inocentada pela Justiça russa, Ana Paula e outros tripulantes do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, foram notificados na quarta-feira sobre o arquivamento do processo pelo qual tinham sido acusados de vandalismo. Os tripulantes foram detidos em 19 de setembro em uma operação feita pela guarda fronteiriça russa quando tentavam subir à plataforma petrolífera Prirazlómnaya do gigante do gás Gazprom, ao que o Greenpeace acusa de descumprir as medidas de segurança e pôr em risco o ecossistema da região onde opera.

<p>Brasileira seguiu para Porto Alegre, onde mora a sua fam&iacute;lia</p>
Brasileira seguiu para Porto Alegre, onde mora a sua família
Foto: Bruno Santos / Terra

Ana Paula desembarcou com um largo sorriso no rosto e seu urso polar de pelúcia nas mãos. Ela também posou para os fotógrafos segurando um cartaz escrito "Salve o Ártico". Ela aproveitou para agradecer a todos os que torciam por sua libertação e disse que o fato tomou uma proporção no mundo que ninguém jamais esperava.

"Espero que o mundo tenha aprendido com isso porque nem os russos esperavam a reação do mundo para nos libertar, nos proteger. Foi uma bola fora. Eles pensaram que podiam fazer com a gente o que eles fazem com todos os que fazem protesto pacífico, que eles calam, mantêm na cadeia por anos, mas o mundo estava junto com a gente e eu não tenho palavras para agradecer isso. Se não fossem vocês, com toda cobertura, ajuda, é provável que nós ainda estivéssemos lá", disse a brasileira.

Ana Paula criticou o sistema judiciário russo, que a manteve presa por mais de três meses. Segundo a ativista, a "dependência" da Justiça da Rússia fez com que o fato se arrastasse por tanto tempo. "Foi uma vergonha o que aconteceu e é provável que a Gazprom esteja roendo os cotovelos porque muitas pessoas sabem o que está acontecendo agora. A Rússia é um país complicado, a gente percebeu que o sistema judiciário não é independente e existe uma justiça de telefonema. A gente não sabe quem faz os telefonemas, mas os juízes não decidem nada. Infelizmente eu recebi uma anistia por um crime que não cometi e eu espero que o mundo tenha aprendido com isso. Não vamos parar até que eles devolvam nosso navio. Temos um santuário no ártico", afirmou.

'Intimidação falida'
Quando questionada se a prisão havia valido à pena, Ana Paula não pensou duas vezes para responder e disse que o Greenpeace não vai parar de protestar por conta de uma "intimidação falida".

"Valeu sim", disse. “Eles (russos) entenderam mal o que aconteceu. O Greenpeace tende a atrapalhar e incomodar todas as companhias de petróleo no mundo. Nunca foi contra eles. A Rússia é um país lindo, com pessoas maravilhosas. Ela tem seus problemas como todos os países, mas valeu a pena porque muito mais pessoas sabem o que acontece no Ártico. Vamos continuar mostrando porque fazemos isso há 40 anos. E não vamos parar agora por causa de uma intimidação falida", completou.

Fonte: Terra
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